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Dólar fecha perto da estabilidade, apesar de aumento da aversão ao risco

Especialistas acreditam que uma solução para o conflito no Irã poderá resultar na desvalorização do dólar frente a outras divisas

Economia|Do Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O dólar fechou a R$ 4,9234, com uma leve alta de 0,05%.
  • O mercado de câmbio foi impactado pelas expectativas de paz no Oriente Médio e a situação dos preços do petróleo.
  • A moeda brasileira se valorizou nas últimas semanas, mas ainda apresenta perdas acumuladas em 2023.
  • Analistas destacam a importância da política monetária restritiva e possíveis cortes na Selic para manter o suporte ao real.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Pessoa conta notas de dólar em uma casa de câmbio em Jacarta, Indonésia
O dólar tocou máxima de R$ 4,9314 no início da tarde para depois se acomodar na casa de R$ 4,92 Willy Kurniawan/Reuters - 09.04.2025

Após rondar a estabilidade ao longo da tarde, o dólar encerrou a sessão desta quinta-feira (7), cotado a R$ 4,9234 (+0,05%).

Mais uma vez, a dinâmica no mercado de moedas esteve atrelada às expectativas em torno das negociações de paz no Oriente Médio, que têm como termômetro os preços do petróleo.

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Principal evento do ponto de vista doméstico, o encontro entre o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi monitorado, mas não teve impacto na formação da taxa de câmbio.

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Pela manhã, o sinal de baixa predominou no exterior, com o dólar perdendo força em relação a moedas fortes e emergentes, diante do otimismo com a possibilidade de fim iminente da guerra.

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O real chegou a destoar do comportamento positivo dos pares em certos momentos, abalado pela queda do petróleo, que ensejava ajustes para realização de lucros com a moeda brasileira, e por certa cautela após a intervenção da quarta-feira do Banco Central.

A piora da percepção de risco geopolítico na segunda etapa de negócios, na esteira das notícias relacionadas ao estreito de Ormuz, afastou o petróleo das mínimas e impulsionou as taxas dos Treasuries e a moeda americana.

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Por aqui, o dólar tocou máxima de R$ 4,9314 no início da tarde para depois se acomodar na casa de R$ 4,92. A mínima pela manhã foi de R$ 4,8960.

O mercado começou a azedar quando circulou a informação de que o Irã pretende adotar novas regras para o tráfego em Ormuz.

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Além disso, Arábia Saudita e Kuwait suspenderam restrições ao uso de suas bases militares e espaço aéreo pelos EUA, dando margem para que Trump retome o Projeto Liberdade, que abrange a escolta de embarcações pelo Estreito.

As cotações do petróleo até recuaram, mas o contrato do Brent se manteve acima da marca de US$ 100 o barril.

Apesar da falta de fôlego exibida na quarta e nesta quinta, a divisa ainda apresenta baixa nos quatro primeiros pregões de maio (0,59%), após recuo de 4,36% em abril.

As perdas acumuladas no ano permanecem em dois dígitos (10,30%). O real segue como a moeda com melhor desempenho em 2026.

Para Andres Abadia, economista-chefe para a América Latina da Pantheon Macroeconomics, a manutenção da política monetária restritiva, com a perspectiva de cortes moderados da taxa Selic, é o principal ponto de suporte ao real.

A melhoria dos termos de troca proporcionada pela valorização do petróleo, em razão do conflito no Oriente Médio, deu um fôlego adicional à moeda brasileira nas últimas semanas, levando a taxa de câmbio ao menor nível em mais de dois anos.

“Uma apreciação adicional é possível se a fraqueza global da moeda americana persistir, mas uma taxa de câmbio abaixo de R$ 5 já me parece exagerada”, afirma Abadia. “O Banco Central já começou a se contrapor ao rali com a oferta de swaps cambiais reversos, que são usados em momentos de forte movimento de apreciação.”

A avaliação da maioria dos analistas ouvidos pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) é a de que o BC aproveitou a maré positiva para o real para testar, com a oferta isolada de swaps cambiais reversos, a reação do mercado a uma eventual estratégia de redução mais acelerada do estoque de swaps cambiais tradicionais, que está acima de US$ 95 bilhões.

O BC já vinha diminuindo sua posição em swaps, deixando parte das posições vencer nas operações mensais de rolagem e com a oferta de swaps cambiais reversos em conjunto com a oferta de venda de dólar à vista - operação conhecida como “casadão”.

Lá fora, o índice DXY — termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes — operava em alta de cerca de 0,10% às 17 horas, ao redor dos 98,120 pontos, após máxima de 98,204 registrada pouco antes. Pela manhã, com apetite ao risco, rompeu o piso de 98,000 pontos, com mínima de 97,815 pontos.

Para o economista Eduardo Levy, sócio da LB Endow, uma solução mais duradoura para o conflito no Oriente Médio tende a jogar o dólar para baixo, sobretudo na comparação com divisas emergentes.

Ele identifica um forte apetite por risco por parte de investidores, sobretudo os institucionais.

“A entrada de recursos para o Brasil pode aumentar significativamente se houver uma melhora do cenário externo, com diminuição do risco geopolítico. Se o petróleo cair, os juros nos EUA podem ceder também por conta da inflação mais baixa. Isso aumenta ainda mais o diferencial de juros”, afirma Levy.

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