Dólar sobe a R$ 2,71 e começa fevereiro na máxima em mais de um mês
Moeda norte-americana subiu 0,96% e atingiu o maior patamar desde 16 de dezembro passado
Economia|Do R7

O dólar subiu quase 1% e fechou a R$ 2,71 nesta segunda-feira (2), maior patamar em mais de um mês, dando continuidade ao avanço de quase 3% visto na sessão passada com investidores testando novas máximas.
A moeda norte-americana subiu 0,96%, a R$ 2,7152 na venda, maior patamar desde 16 de dezembro passado (R$ 2,7355), quando explodiu a crise do rublo russo. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de US$ 1,3 bilhão.
Na máxima da sessão, a moeda norte-americana foi negociada a R$ 2,7187. Na sexta-feira, a divisa havia encerrado com o maior avanço desde setembro de 2011.
"Ninguém sabia se o dólar ia continuar em alta depois de um avanço tão forte [na sexta-feira]", explicou o diretor de câmbio da corretora Pioneer, João Medeiros.
— Ao ver que o mercado continuou estressado hoje, todo mundo que estava vendido desmontou essas posições.
Desde o início do ano, o dólar vinha recuando firmemente em relação ao real, reagindo ao maior rigor fiscal no Brasil e à perspectiva de liquidez abundante no mundo. Segundo operadores, isso levou alguns investidores a apostarem em mais quedas.
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Mas, na sexta-feira, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, sugeriu que não há intenção do governo de manter o real valorizado artificialmente. O mercado entendeu a fala como um sinal de que a atuação do BC no câmbio poderia diminuir no curto prazo, reduzindo a oferta de dólares no mercado.
Na avaliação do economista da 4Cast Pedro Tuesta, se o BC de fato reduzir sua presença no mercado, a tendência é que o dólar suba ainda mais.
— Se o BC fizer rolagens de 80% [de cada lote de swaps] ou menos, poderíamos facilmente imaginar o dólar a R$ 2,80 ou R$ 2,85.
Mais tarde, no mesmo dia, a assessoria de imprensa do ministro procurou a imprensa para afirmar que a declaração se referia ao câmbio no mundo, mas isso não foi suficiente para mitigar de forma significativa a alta do dólar. A moeda norte-americana chegou a corrigir parte do avanço nesta manhã, mas logo voltou a subir.
Isso levou investidores a desmontar posições vendidas, intensificando o movimento, mesmo após o BC sinalizar, depois do fechamento dos negócios na sexta-feira, a rolagem integral dos swaps cambiais que vencem em março.
A autoridade monetária anunciou para esta manhã a oferta de até 13 mil swaps para o início da rolagem dos swaps cambiais, que equivalem à venda futura de dólares, que vencem em 2 de março. E vendeu a oferta total, rolando cerca de 6% do lote total.
Se mantiver esse ritmo, vender sempre a oferta integral e não fizer leilão de rolagem no último pregão do mês, como vem acontecendo nos últimos meses, o BC rolará quase 100% do lote total, que corresponde a US$ 10,438 bilhões.
"É um alívio marginal. Com o mercado estressado da semana passada, é bom saber que o BC vai continuar fornecendo bastante liquidez agora no começo do mês", disse o superintendente de derivativos de uma gestora de recursos nacional.
Pela manhã, o BC também deu continuidade às intervenções diárias, vendendo a oferta total de até 2.000 swaps com volume equivalente a US$ 98,1 milhões. Foram vendidos 500 contratos para 1º de dezembro de 2015 e 1.500 para 1º de fevereiro de 2016.
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