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Dólar sobe, mas ação 'surpresa' do Banco Central limita avanço

Moeda norte-americana fechou a segunda-feira vendida a R$ 3,72, com alta de 0,54% em relação ao real

Economia|Do R7

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Dólar caiu na semana passada, com ação do BC
Dólar caiu na semana passada, com ação do BC

O dólar voltou a fechar em alta em relação ao real nesta segunda-feira (11), sob influência do mercado externo, embora a intervenção "surpresa" do Banco Central no mercado cambial tenha limitado o movimento.

O dólar avançou 0,54%, a R$ 3,7267 na venda, depois de despencar 5,59% na sexta-feira (8), maior queda em quase 10 anos.


Na mínima do dia, a moeda norte-americana foi a R$ 3,6715 e, na máxima, a R$ 3,7309. O dólar futuro tinha alta de cerca de 0,25%.

O BC conseguiu conter a valorização do dólar após anunciar durante a sessão leilão de até 50 mil novos swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares. Vendeu integralmente a oferta, de US$ 2,5 bilhões, somando neste mês US$ 13,116 bilhões em novos swaps.


Diferentemente do que vinha fazendo, o BC não fez o anúncio sobre o leilão de swaps cambiais após a sessão anterior, quando o dólar despencou sobre o real. Ele vinha ofertando diariamente até 15 mil novos contratos desde 21 de maio passado e, de 14 a 18 de maio, o BC também tinha feito oferta extra, mas de até 5.000 contratos novos.

A atuação "surpresa" foi bem-vista pelos agentes: "Ele [o BC] não pode dar previsibilidade porque cria uma banda, um teto e um piso, e mercado fica esperando", disse um gestor de derivativos de uma corretora local.


"É uma abordagem correta. Atuar 'discricionariamente' traz alguma incerteza ao mercado, evitando especulações”, emendou o diretor de Tesouraria de um banco estrangeiro.

Após a forte disparada do dólar e das taxas de juros futuros, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, disse na quinta-feira passada que o órgão ofereceria mais 20 bilhões de dólares em novos swaps até o fim desta semana.


No pregão passado, assim, vendeu integralmente o lote de até 15 mil novos swaps, e também a oferta integral de até 60 mil contratos, dentro dessa nova estratégia.

O BC também realizou nesta segunda-feira leilão de até 8.800 swaps para rolagem do vencimento de julho, já somando 3,080 bilhões de dólares do total de 8,762 bilhões de dólares que vence em julho. Se mantiver esse volume até o final do mês, rolará integralmente o total.

"Serão US$ 20 bilhões até sexta-feira, isso pode ajudar o dólar a cair um pouco mais, até R$ 3,65, R$ 3,60, no máximo. Mas o dólar só vai ficar mais fraco aqui se o Fed não trouxer surpresas", afirmou o diretor da consultoria de valores mobiliários Wagner Investimentos, José Faria Júnior, ao lembrar que haverá reunião do banco central norte-americano nesta semana, em meio a expectativas no mercado de que possa elevar mais do que o esperado os juros da maior economia do mundo.

Por ora, as apostas ainda são majoritárias para três altas de juros este ano, a segunda esperada para esta semana. Mas os indicadores recentes podem levar o Fed a indicar que pode ampliar o passo, o que tem potencial para atrair aos EUA recursos hoje aplicados em outras praças, como a brasileira.

No exterior, o dólar tinha leve alta ante a cesta, mas subia firme ante as divisas de países emergentes, como os pesos mexicano e chileno.

"O clima não é favorável para o dólar cair", afirmou Faria Júnior.

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