Dólar sobe pela 4ª vez seguida e passa a ser negociado a R$ 3,24
Alta de 0,5% foi guiada por política local e expectativa de juros nos EUA
Economia|Do R7

O dólar fechou esta terça-feira (24) em alta, pelo quarto pregão seguido e encostando no patamar de R$ 3,25, diante de expectativas sobre os juros maiores nos Estados Unidos e com temores sobre a força política que o governo do presidente Michel Temer terá para dar sequência a importantes reformas, em especial a da Previdência.
Nesta sessão, a moeda avançou 0,5%, a R$ 3,2473 na venda, depois de atingir a máxima de R$ 3,2691, novamente no maior patamar em mais de quatro meses. Em quatro sessões, acumulou alta de 2,6%. O dólar futuro tinha alta de cerca de 0,2% no final da tarde.
"O mercado parece estar se preparando para aprovação da reforma tributária nos Estados Unidos", afirmou o operador da corretora H. Commcor, Cleber Alessie Machado.
A expectativa de que o Federal Reserve, banco central norte-americano, possa elevar mais os juros tem sido alimentada depois que o Senado dos Estados Unidos aprovou esboço do orçamento que abre caminho para o plano de redução de impostos de Trump, o que pode dar gerar mais pressão inflacionária.
A esse cenário soma-se a sucessão do comando do Fed. Trump tem dito que ainda avaliava pelo menos três nomes: o diretor do Fed Jerome Powell, o economista da Universidade de Stanford John Taylor e a atual chair do Fed, Janet Yellen.
"A escolha de Taylor deixaria os mercados descontentes porque ele tem um perfil mais conservador e tende a subir os juros. O mercado fica mais confortável com a escolha de Powell ou Yellen", afirmou o operador da Advanced Corretora, Alessandro Faganello.
Mais juros dos Estados Unidos tende a atrair para a maior economia do mundo recursos aplicados hoje em outros mercados ao redor do mundo, o que pode resultar em fluxo de saída de capitais do Brasil.
A cena política doméstica também continuou no radar. No dia seguinte, o plenário da Câmara dos Deputados começa a votar a segunda denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) contra o presidente Michel Temer, dessa vez por crimes de obstrução de Justiça e organização criminosa.
O Palácio do Planalto concentrava seus esforços para assegurar os mesmos 263 de votos da primeira denúncia, e avisou aos parlamentares que, desta vez, as consequências de votar contra o presidente serão mais duras.
O placar, para o mercado, é importante por sinalizar o apoio que o governo tem no Legislativo para dar continuidade a importantes medidas econômicas, com destaque para a reforma da Previdência.
"Há cautela antes da votação [da denúncia contra Temer]. Se os votos ficarem muito abaixo dos 263 da votação anterior, os mercados vão ficar tensos, pois nesse ambiente desfavorável a reforma da Previdência não passa nem com formato mais enxuto", afirmou o operador da Advanced Corretora, Alessandro Faganello.
Apesar do salto nos últimos dias, os investidores entendem que o forte desempenho do dólar é momentâneo.
"Tenho a impressão que se Temer tiver 270 deputados para barrar a denuncia, isso dará um ânimo e esse mercado deve voltar gradativamente aos níveis da semana passada (entre R$ 3,17 e R$ 3,18)", afirmou o superintendente da corretora Correparti, Ricardo Gomes da Silva.















