Dólar tem maior alta em dez meses e fecha em R$ 2,42 nesta quinta
Intervenção do Banco Central não impediu influência dos juros nos EUA e eleições
Economia|Do R7

O dólar subiu 1,95% e fechou em R$ 2,4299 nesta quinta-feira (25), turbinado por expectativas sobre o futuro das políticas monetárias dos EUA e da Europa e por preocupações sobre as eleições no Brasil.
Foi a maior alta desde 5 de novembro de 2013, quando o preço da divisa subiu 1,98% em relação ao pregão do dia anterior.
Investidores compravam a moeda norte-americana em busca de proteção cambial antes da divulgação de novas pesquisas eleitorais nesta semana. Além disso, muitos testavam a tolerância do Banco Central à recente pressão no câmbio, que alimenta ainda mais a inflação.
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O estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, afirma que o mercado há tempos vem se ajustando para alta nos juros nos Estados Unidos no próximo ano, quando subir moverá investimentos para o país.
— Há um movimento generalizado de alta do dólar que está respingando aqui.
O dólar chegou a bater no exterior a máxima em quatro anos contra uma cesta de divisas, com investidores estimando que a política monetária da Europa se tornará mais expansionista, enquanto a dos EUA ficará mais apertada.
Apesar do alívio europeu, a perspectiva de que os juros devem subir já no ano que vem na maior economia do mundo, possivelmente atraindo recursos aplicados em outros países, tem golpeado moedas de países emergentes. O dólar também tinha forte alta contra moedas como o peso mexicano e o rand sul-africano.
No Brasil, a pressão externa vem junto com incertezas sobre as eleições presidenciais de outubro. A atual presidente Dilma Rousseff (PT), cuja política econômica tem sido considerada intervencionista demais na economia pelo mercado financeiro, tem ganhado força nas últimas pesquisas de intenção de voto e encostado em sua rival Marina Silva (PSB) em um esperado segundo turno das eleições.
A cotação da moeda sobe quando a disponibilidade da moeda diminui no País, após investimentos serem retirados daqui.
Em uma tentativa de conter a alta do dólar, o BC aumentou suas intervenções no câmbio nesta semana, ampliando os leilões de swaps cambiais para rolagem logo após o dólar fechar a R$ 2,40 pela primeira vez em sete meses. Isso levou investidores a avaliar que o BC quer evitar cotações acima desse nível por medo de impactos inflacionários. O objetivo dos leilões é manter mais moeda investida no mercado.
A ação do Banco Central levou o dólar a cair quase 1% na quarta-feira (24). Nesta sessão, no entanto, investidores elevaram as cotações da moeda para testar a disposição do BC em defender o real.
Pela manhã, a autoridade monetária vendeu a oferta total de até 4 mil swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares, pelas atuações diárias. Foram vendidos 3,5 mil contratos para 1º de junho e 500 para 1º de setembro de 2015, com volume correspondente a R$ 480,97 milhões (US$ 198,2 milhões).
O BC também vendeu a oferta total de até 15 mil swaps para rolagem dos contratos que vencem em outubro. Ao todo, já rolou cerca de 75 por cento do lote total, que corresponde a R$ 16,21 bilhões (US$ 6,677 bilhões).
Segundo dados da BM&FBovespa, o giro financeiro do mercado à vista nesta sessão ficou em torno de 1 bilhão de dólares, um pouco abaixo da média diária deste mês, de R$ 2,91 bilhões (US$ 1,2 bilhão).
Apesar do volume relativamente fraco no mercado à vista, o giro cresceu no mercado futuro, que permite maior alavancagem aos investidores. Foram negociados 433 mil contratos de dólar para outubro, acima da média dos últimos 30 pregões, de 350 mil contratos.
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