Dólar tem maior queda semanal desde 2008 e vale R$ 3,76
Com recuo de 1,09% desta sexta, moeda dos EUA acumulou queda de 5,93% durante a semana
Economia|Do R7

O dólar fechou em queda nesta sexta-feira (4), marcando a maior baixa semanal em mais de sete anos, com a nova fase da Operação Lava Jato atingindo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas, com a atuação do BC (Banco Central), a moeda norte-americana terminou o dia bem longe das mínimas.
O dólar recuou 1,09%, a R$ 3,7607 na venda. A moeda norte-americana caiu 3,87% e chegou a R$ 3,6550 na mínima deste pregão, menor patamar intradia desde 1º de setembro de 2015 (R$ 3,6192).
Na semana, o dólar acumulou queda de 5,93%, maior recuo semanal desde outubro de 2008. O dólar futuro recuava cerca de 1% no fim da tarde.
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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi levado para depor nesta sexta-feira em nova etapa da Operação Lava Jato sob suspeita de ser beneficiário de crimes envolvendo a Petrobras, aproximando ainda mais a investigação do atual governo.
Notícias que aumentam a pressão sobre Dilma, alvo de processo de impeachment, vêm sendo bem recebidas pelo mercado, que entende que eventual troca no governo pode trazer de volta a confiança e abrir espaço para mudanças na política econômica. Além disso, a investigação contra Lula poderia atrapalhar os planos do ex-presidente de concorrer à eleição em 2018.
Ainda assim, alguns analistas ponderam que as turbulências políticas podem dificultar ainda mais a governabilidade no presente. Além disso, não é certo que uma mudança abriria espaço para um governo mais apto a promover as dolorosas reformas que muitos acreditam ser a chave para a recuperação.
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"O mercado está apostando em retomada da confiança que pode não se concretizar. Há uma certa euforia e acho que algumas pessoas estão indo no embalo, mas tem muita água para rolar ainda", disse o operador de um banco internacional, sob condição de anonimato.
BC
O dólar reduziu as perdas no final da manhã após o BC vender apenas parcialmente a oferta de swaps cambiais, contratos equivalentes à venda futura de dólares, em leilão para rolagem.
O BC vem rolando integralmente todos os swaps nos últimos sete vencimentos. Neste mês, vinha indicando que rolaria integralmente os swaps que vencem em abril, que correspondem a US$ 10,092 bilhões, vendendo sempre a oferta integral diária de até 9.600 contratos. Nesta sessão, porém, vendeu apenas 8.000 swaps, golpeando instantaneamente as cotações.
"Parece que o BC quer segurar um pouco a queda do dólar, está muito intensa", disse o gerente de câmbio da corretora BGC, Francisco Carvalho.
"Ele pode ter espaço para reduzir o estoque [de swaps cambiais]. Podemos ver um anúncio de rolagem menor depois do fechamento", acrescentou, referindo-se ao estoque equivalente a cerca de US$ 110 bilhões em swaps administrado pelo BC.
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Com o leilão deste pregão, o BC rolou ao todo US$ 1,790 bilhão em swaps, ou cerca de 18% do total. Se mudar o ritmo e passar a oferecer 8.000 contratos por dia, vendendo sempre o lote integral até o penúltimo pregão, como de praxe, a autoridade monetária rolará cerca de 85%.
O BC tem dito que atua para garantir oferta de proteção cambial e atenuar a volatilidade. Alguns operadores acreditam, porém, que a autoridade monetária tem em vista também o nível da taxa, já que cotações altas tendem a pressionar a inflação e patamares baixos prejudicam as exportações.
Estrategistas do banco BNP Paribas escreveram em nota clientes que entendem que a rolagem parcial é um sinal de que a autoridade monetária não permitirá que o dólar caia muito além de R$ 3,70.
"Embora a resiliência do real seja compreensível no contexto do fortalecimento do setor externo e dos desenvolvimentos domésticos atuais, acreditamos que o movimento é um pouco exagerado", escreveram os estrategistas, para quem o nível justo do dólar é de R$ 3,83.















