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Dólar vale menos de R$ 3,10 pela 1º vez em mais de um ano e meio

Moeda norte-americana recuou 0,45% e atingiu o menor patamar desde julho de 2015

Economia|Do R7

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Dólar chegou a bater R$ 3,12 na sessão
Dólar chegou a bater R$ 3,12 na sessão

O dólar fechou em queda nesta terça-feira (14), indo abaixo de R$ 3,10 pela primeira vez em mais de um ano e meio, influenciado por fluxo de ingresso de recursos e pela volta da atuação do Banco Central no mercado de câmbio.

Nesta sessão, a moeda norte-americana recuou 0,45%, a R$ 3,096 na venda, menor nível de fechamento desde 2 de julho de 2015, quando fechou exatamente com a mesma cotação. O dólar futuro caía cerca de 0,5% no final da tarde. Na mínima da sessão, a moeda norte-americana foi a R$ 3,0929 e, na máxima, a R$ 3,1283.


"A percepção é de que há mais um vendedor [BC] no mercado", afirmou mais cedo o economista da consultoria Tendências Silvio Campos Neto.

O BC brasileiro voltou a fazer leilão de swap tradicional — equivalentes à venda futura de dólares — para rolagem dos vencimentos de março, vendendo o lote integral de até 6 mil contratos, equivalente a US$ 300 milhões. Com isso, voltou ao mercado com esse tipo de intervenção, feita pela última vez em 30 de janeiro.


Se mantiver esse volume até o final do mês, e vender o lote integral, o BC rolará apenas parcialmente o lote que vence no próximo mês, de US$ 6,954 bilhões.

Segundo operadores, a atuação indicava que o BC não estava preocupado com o nível do dólar, que vem mostrando trajetória de baixa ante o real diante das expectativas de ingresso de recursos externos no País. Segundo operadores, nesta sessão houve esse movimento de entrada, o que ajudou a puxar o dólar para baixo.


"Parece que para o BC, quanto mais baixo [o dólar], melhor. Pode contribuir para cortar um pouco mais a Selic", afirmou o diretor da consultoria de valores mobiliários Wagner Investimentos, José Faria Júnior, referindo-se à taxa básica de juros do país.

Durante a tarde, no entanto, o dólar subiu momentaneamente sobre o real após a chair do Federal Reserve, Janet Yellen, ter alimentado apostas de que o banco central norte-americano pode aumentar os juros mais do que o esperado.


Yellen disse que o Fed provavelmente precisará elevar a taxa de juros em uma das próximas reuniões, embora tenha indicado incerteza considerável sobre a política econômica com a administração do presidente Donald Trump. Ela acrescentou ainda, durante audiência no Senado norte-americano, que adiar aumentos dos juros seria "insensato".

"Ela [Yellen] foi clara ao dizer que não seria inteligente esperar para subir os juros", afirmou o diretor de operações da Mirae Asset, Pablo Spyer.

Com mais juros, os Estados Unidos podem atrair recursos aplicados hoje em outros países, como o Brasil, o que faria o dólar a se apreciar ante o real.

Os juros futuros nos Estados Unidos indicavam chances de 43% de o Fed elevar os juros três vezes, pelo menos, neste ano, frente aos 33% vistos até a véspera. Com isso, o dólar atingiu a máxima de três semanas ante uma cesta de moedas nesta sessão.

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