Dólar volta a fechar acima de R$ 3.90 após novo rebaixamento do Brasil
Alta de 1,24% fez moeda norte-americana avançar ao maior patamar desde outubro
Economia|Do R7

O dólar subiu mais de 1% nesta quarta-feira (16) e fechou acima de R$ 3,90 pela primeira vez em um mês e meio, com investidores preocupados com a possibilidade de o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, deixar o governo, com o rebaixamento da nota brasileira pela Fitch e antes da esperada elevação dos juros nos Estados Unidos.
O dólar avançou 1,24%, a R$ 3,9247 na venda. É a primeira vez que a moeda norte-americana encerra acima de R$ 3,90 desde 28 de outubro, quando terminou a R$ 3,9201.
No momento do fechamento do mercado à vista, o Federal Reserve, banco central dos EUA, elevou a taxa de juros do país como era esperado. O dólar futuro ampliou um pouco a alta imediatamente após a decisão, para cerca de 1,5%.
"A redução da meta fiscal enfraquece cada vez mais o Levy. A permanência dele no governo parece estar com as horas contadas", disse o operador da corretora SLW João Paulo de Gracia Correa.
Leia mais sobre Economia e ajuste suas contas
Mesmo com dólar a R$ 4, comprar eletrônicos e roupas nos EUA ainda é bom negócio. Compare
Na noite passada, foi divulgado que a meta de superávit primário do setor público consolidado seria reduzida para cerca de 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto), com a possibilidade de que o objetivo seja zerado com abatimentos.
No entanto, a CMO (Comissão Mista de Orçamento) aprovou nesta quarta-feira a redução da meta, mas sem possibilidade de abatimento. A decisão ainda precisa ser aprovada pelo plenário do Congresso Nacional.
Levy já havia se manifestado abertamente muitas vezes contra a mudança da meta de superávit e até ameaçou, nos bastidores, deixar o cargo caso fosse alterada. O ministro vem encabeçando a campanha pela austeridade fiscal e investidores entendem sua eventual saída do governo como um sinal de mais atrasos no reequilíbrio das contas públicas.
O quadro de cautela durante a sessão foi intensificado pela aguardada reunião do Federal Reserve, banco central norte-americano, que terminou após o encerramento dos negócios. Operadores já davam como certo que os juros seriam elevados e a reação foi bastante contida, com o Fed indicando que deve ser gradual nos próximos aumentos.
Dólar caro afeta preço do pãozinho, viagens e até eletrônicos
Com alta do dólar, turismo no Brasil ganhar força e 'salva' resultados de hotéis
O movimento do câmbio também foi acentuado pela ansiedade durante a sessão do STF (Supremo Tribunal Federal) que decidirá sobre o rito do processo de impeachment contra Dilma. De maneira geral, a campanha pelo afastamento da presidente tem sido bem recebida nos mercados, mas muitos se preocupam com os impactos econômicos da incerteza política.
"Sem um grau de investimento e enfrentando problemas políticos e econômicos significativos, o Brasil não está em boa posição para enfrentar as consequências do aumento dos juros pelo Fed", escreveu o economista para mercados emergentes do banco BBVA, em nota clientes, Enestor dos Santos.
Pela manhã, o Banco Central deu sequência à rolagem dos swaps cambiais que vencem em janeiro, com oferta de até 11.260 contratos, que equivalem à venda futura de dólares. Até agora, a autoridade monetária já rolou o equivalente a US$ 6,565 bilhões, ou cerca de 61% do lote total, que corresponde a US$ 10,694 bilhões.















