Em meio à queda do preço do petróleo, Argélia pede para Opep cortar produção
BC alemão disse hoje que preço baixo do petróleo é um estímulo para a economia
Economia|Do R7
O ministro do Petróleo da Argélia, Youcef Yousfi, pediu à Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) para cortar a produção e elevar o preço da commodity, que tem recuado dramaticamente nos últimos seis meses.
O pedido ocorre em um momento no qual o país está enfrentando dificuldades para lidar com a queda pela metade do preço do petróleo, de US$ 120 o barril para US$ 60 o barril.
"Para nós, a Opep precisar intervir para corrigir o desequilíbrio e cortar a produção com o objetivo de elevar os preços e defender a retorno com a commodity de seus países-membros", afirmou Yousfi em comentário divulgado pela agência de notícias estatal.
Embora tenha cerca de US$ 200 bilhões em reservas internacionais, o suficiente para cobrir as importações pelos próximos anos, a Argélia é muito dependente da receita proveniente do petróleo, que corresponde a 97% de sua renda cambial bruta e 60% de seu orçamento.
Em uma reunião de gabinete, na última terça-feira (23), o presidente da Argélia, Abdelaziz Bouteflika, expressou pela primeira vez preocupação sobre a situação e fez promessas vagas de redução de custos.
A primeira dessas medidas de austeridade foi anunciada ontem, quando o primeiro-ministro Abdelmalek Sellal disse que haveria um congelamento na contratação do setor público em 2015. Cerca de 60% dos empregos no país trabalham para o governo. Estima-se também que grandes projetos de infraestrutura, como transporte público em Argel e rodovias no interior do país, sejam suspensos.
Queda no preço é oportunidade
Apesar dos problemas que a queda da commodity está causando na Argélia, o Banco Central da Alemanha destacou hoje as oportunidades criadas pelo atual cenário econômico.
Segundo o presidente do BC alemão (Bundesbank), Jens Weidmann, o continente está sendo "presenteado por um programa de estímulo" com os preços baixos do petróleo.
Weidmann fez o comentária ao questionar a necessidade do Banco Central Europeu (BCE) em adotar um novo programa de compra de bônus.
O BCE está considerando se e como oferecerá mais estímulo para a economia da zona do euro, que ainda enfrenta dificuldades. Umas das possibilidades estudadas seriam as compras em larga escala de bônus do governo, uma ideia impopular na Alemanha.
Weidmann, que é membro do conselho do BCE, afirmou ao jornal Frankfurter Allgemeine Sonntagszeitung que as projeções de crescimento para o próximo ano não refletem a extensão da queda do preço do petróleo — então o crescimento poderá ser melhor que o esperado.
— Nós estamos sendo presenteados por um programa de estímulo, então por que usar, além disso, política monetária?















