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Em sessão volátil, dólar cai 0,65% ante real e fecha cotado a R$ 2,36

Banco Central intervém mais uma vez para frear valorização do câmbio frente ao real

Economia|Do R7

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Em mais um dia marcado por muito vaivém, o dólar fechou em queda ante o real, derrubado por fluxos pontuais de entrada de capital e pelo plano de atuações do BC (Banco Central) no mercado de câmbio, que tinham seu efeito ampliado pela forte volatilidade que tem acometido os mercados nos últimos dias.

O dólar perdeu 0,65%, para R$ 2,368 na venda, após chegar a subir mais de 1%, a R$ 2,418 na máxima do dia. Segundo dados da BM&F (Bovespa), o giro financeiro estava em pouco mais de U$$ 1,2 bilhão. Segundo o economista-chefe do Espírito Santo Investment Bank, Jankiel Santos, há aspectos técnicos envolvidos na queda.


— Uns falam que houve entrada de (investidores) estrangeiros, outros falam que a atuação do BC começou a fazer efeito. Aparentemente, tem muito mais aspectos técnicos do que notíciário por trás dessa queda do dólar.

Ele refere-se ao plano de intervenção do BC nos mercados de câmbio anunciado na semana passada. Com o objetivo de "prover hedge cambial aos agentes econômicos e liquidez ao mercado", a autoridade monetária informou que vai atuar diariamente por meio de swaps cambiais tradicionais — equivalente a venda de dólares no mercado futuro — e leilões de linha até, pelo menos, 31 de dezembro.


Durante a manhã, no entanto, a divisa registrou forte alta, diante do ambiente de aversão global ao risco provocado por temores de ataque iminente dos Estados Unidos e aliados à Síria, levando alguns analistas a dizer que a autoridade monetária poderia ser forçada a elevar o grau de intervenção no mercado para fazer frente a esse cenário. O operador de câmbio da corretora Intercam, Glauber Romano, afirma que o cenário é preocupante.

— Com certeza (o programa do BC) está longe de ter eliminado as fortes variações que (o dólar) estava tendo. O cenário continua bastante preocupante e talvez o BC tenha que fazer mais leilões além dos programados.


Nesta terça-feira (27), o BC vendeu 10 mil contratos de swap cambial tradicional com vencimento em 2 de dezembro de 2013, como parte de seu plano de intervenções, cujo potencial é de U$$ 60 bilhões. Entre segunda e quinta-feiras, o BC ofertará 10 mil contratos de swap por dia e, nas sexta-feiras, ele fará leilão de venda no mercado à vista com compromisso de recompra no valor de U$$ 1 bilhão.

À tarde, o BC anunciou ainda para quarta-feira (28) a próxima etapa de seu programa de intervenções, ofertando 10 mil contratos de swap cambial tradicional com vencimento em 2 de dezembro de 2013. O leilão ocorrerá entre as 9h30 e as 9h40 e o resultado será divulgado a partir das 9h50.


Além disso, a autoridade monetária divulgou, com bastante antecedência, um cronograma para a rolagem de 135.300 contratos que de swap que vencem em 1º de outubro deste ano.

As ofertas serão realizadas nos dia 16, 17 e 18 de setembro, coincidindo com as datas da reunião de política monetária do Fed (Federal Reserve) — banco central norte-americano — marcada para 17 e 18 de setembro e na qual investidores acreditam que o Fed poderá decidir reduzir suas compras mensais de títulos.

É justamente a preocupação com o futuro da política monetária dos EUA que desencadeou o processo de valorização internacional do dólar nas últimas semanas.

Desde maio, quando integrantes do Fed começaram a sinalizar que a redução do estímulo monetário no país deve vir em breve, o BC brasileiro vendeu o equivalente a U$$ 51,735 bilhões em swaps cambiais. Em comparação, durante a crise financeira de 2008 e 2009, a autoridade monetária vendeu o equivalente U$$ 33 bilhões nesses instrumentos.

Para o estrategista-chefe do banco Mizuho, Luciano Rostagno, a medida do BC deve ser suficiente para manter o câmbio perto dos níveis atuais. As declarações do estrategista espelham a opinião de diversos analistas, que vêm citando que o patamar de R$ 2,40 é um teto técnico importante.

Guerra na Síria

Nesta terça-feira (27), a possibilidade de os EUA e seus aliados atacarem a Síria adicionou instabilidade aos mercados e fez os investidores se livrarem de aplicações de risco, como moedas de país com economias menos desenvolvidas. Em vez disso, eles procuravam ativos considerados "porto-seguro", como o ouro no mercado à vista, que atingiu a maior cotação em 15 semanas.

Em relação ao peso mexicano, a divisa dos EUA subia cerca de 0,2%. Já o dólar australiano se desvalorizava 0,44%, e o dólar neozelandês perdia 0,65%. Segundo um operador de um banco estrangeiro, o mercado de câmbio está bastante agitado e nervoso.

— O temor de ataque na Síria afetou os mercados fortemente. Vamos ver se o BC vai manter o cronograma ou alterá-lo. 

O operador de uma corretora internacional ressaltou, ainda, que a briga pela formação da Ptax de agosto contribuía para elevar a volatilidade dos mercados. A Ptax —taxa elaborada pelo BC que serve de referência para diversos contratos cambiais — é divulgada no último pregão do mês.

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