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Fora da Fazenda, Fiche se mantém em conselho

Economia|Do R7

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Afastado do cargo há três meses, suspeito de receber propina de uma empresa de comunicação, o ex-chefe de gabinete do ministro Guido Mantega (Fazenda), Marcelo Estrela Fiche, mantém cadeira em conselhos de administração de uma subsidiária do Banco do Brasil, com remuneração mensal de R$ 13,2 mil.

O ex-chefe de gabinete foi indicado pelo banco estatal para integrar os conselhos de administração da BB & Mapfre - maior empresa de seguros da América Latina, criada pela união do BB com o grupo de origem espanhola. Iniciado em 2012, o mandato dele termina em setembro e poderá ser renovado por mais dois anos.

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Na função de conselheiro, Fiche define os planos, monitora o desempenho da empresa e dos seus executivos, além de aprovar balanços. O grupo administra R$ 10 bilhões em prêmios de seguros e tem no comando alguns dos principais nomes do governo.

Em novembro, após as denúncias contra Fiche, a Fazenda abriu sindicância, ainda em curso, para apurar o suposto esquema de cobrança de propina na pasta. A Polícia Federal também investiga o caso em inquérito tocado pela superintendência no Distrito Federal.

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Segundo reportagem da revista Época, a secretária Anne Paiva, funcionária da empresa Partners, que prestava serviços de comunicação para a Fazenda, contou ter sacado R$ 20 mil de sua conta e repassado o dinheiro para Fiche na sede do ministério. Conforme o relato, a funcionária teria pago propina em outras ocasiões ao chefe de gabinete e também ao seu substituto no cargo, Humberto Alencar, que era fiscal do contrato. Os dois negam.

Mantega determinou a abertura da investigação interna e pediu à PF que apurasse as denúncias que atingiam o seu assessor direto e colaborador havia sete anos. Fiche e Humberto pediram demissão 15 dias depois. Em carta, o chefe de gabinete disse que a decisão era para que as apurações pudessem ser conduzidas com "celeridade" e "tranquilidade".

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O Planalto, nos bastidores, trabalhou para o pedido de demissão, temendo que o escândalo fustigasse a imagem de Mantega. Após a exoneração, Fiche, que é servidor de carreira, pediu licença para terminar um doutorado na Universidade de Brasília (UnB).

Na subsidiária do BB, Fiche é um dos oito integrantes dos conselhos de administração, ao lado do presidente do banco, Aldemir Bendine. São dois conselhos, de composição idêntica, cada um responsável por uma holding do grupo segurador.

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Relatório

Na investigação da PF, várias pessoas já foram ouvidas. O relatório final deve ser apresentado em breve. O Estado apurou, no entanto, que a secretária Anne Paiva negou em depoimento ter sacado dinheiro de sua conta e se encontrado com Fiche.

Procurado, o ex-chefe de gabinete disse que a investigação no Ministério da Fazenda ainda está em fase de sindicância, não havendo processo administrativo contra ele. Segundo Fiche, a PF, tampouco, o indiciou por qualquer irregularidade. Ele reitera não ter envolvimento no suposto esquema.

O ex-chefe de gabinete diz que deixou o cargo na Fazenda porque a corregedoria da pasta, responsável pela sindicância, é ligada ao gabinete de Mantega. Ele argumenta que no Banco do Brasil não há por que alegar possível "interferência". "Gostaria de terminar meu mandato. Sou inocente e não há razão para me afastar", afirma, acrescentando ter qualificação para as funções de conselheiro. O BB informou, em nota, que Fiche foi eleito para dois anos e, no momento, "encontra-se efetivamente no exercício de seu mandato". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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