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Governo e bancos discutem medidas de socorro a grandes empresas

Ministério da Economia busca medida para ajudar montadoras, empresas de energia, companhias aéreas e varejistas em meio à crise do coronavírus

Economia|Do R7

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Paulo Guedes, ministro da Economia
Paulo Guedes, ministro da Economia BBC NEWS BRASIL

O Ministério da Economia está conversando com os bancos sobre resgate a setores como companhias aéreas, montadoras, empresas de energia e grandes varejistas para auxiliá-los na crise do coronavírus, confirmaram executivos do Bradesco e do Santander Brasil nesta quarta-feira.

Os maiores bancos no país, incluindo Bradesco, Itaú Unibanco, Santander Brasil e Banco do Brasil, têm discutido com BNDES e Banco Central sobre quais instrumentos financeiros podem ser usados ​​para resgatar empresas em dificuldades.


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Fontes afirmam que apenas as montadoras fizeram pedido inicial de cerca de 100 bilhões de reais, relatando que esse seria o montante necessário para segurar o funcionamento de toda a cadeia, incluindo fornecedoras e concessionárias.


Esses executivos, porém, afirmaram que o socorro ao setor dificilmente alcancará este montante. "As conversas entre os bancos, BNDES e o Tesouro têm sido muito produtivas", afirmou o presidente-executivo do Santander Brasil, Sergio Rial, em videoconferência para discutir o impacto do coronavírus na economia, abordando setores como companhias aéreas, hotéis e montadoras.

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Em outra apresentação, o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, afirmou que um resgate para o setor de energia deve ser concluído ao longo das próximas duas semanas. O ministério quer que o BNDES lidere as negociações.


O BNDES está organizando uma espécie de sindicato com os bancos para que soluções de mercado sejam estruturadas, envolvendo emissão, pelas empresas, de instrumentos como debêntures conversíveis, na parte de renda fixa, e bônus de substituição e opções de compra, na parte de renda variável.

O banco de desenvolvimento poderia usar parte de sua posição de caixa, de cerca de R$ 80 bilhões, para comprar ativos, juntamente com bancos e investidores.


Uma fonte próxima ao governo disse que BNDES não quer tomar todo o risco sozinho porque isso limitaria seu poder de socorrer outras companhias. Ao dividir o risco com outros bancos e investidores, o BNDES mira um universo maior de empresas.

Para receber os recursos, as empresas teriam de apresentar um plano de reestruturação ao BNDES. Os participantes discutiram o uso de dívida conversível ou empréstimos parcialmente garantidos pelo Tesouro, disseram as fontes. Mas o Tesouro não está disposto a injetar recursos diretamente nas empresas.

As divisões continuam nas negociações, com os bancos dispostos a cooperar, mas insistindo que o governo deve correr o maior risco em alguns casos, disseram as fontes.

Procurados, BNDES e Ministério da Economia não se manifestaram imediatamente.

Discussões

Rial afirmou que as discussões com companhias aéreas e varejistas listadas incluem o uso de títulos conversíveis, que poderão ser resgatados em ativos ou em dinheiro no futuro. Companhias aéreas, incluindo Gol, Azul e Latam Airlines, já haviam conversado anteriormente com o BNDES sobre um financiamento.

O presidente da Azul, John Rodgerson, afirmou nesta quarta-feira que a empresa ainda está um pouco distante de chegar a um acordo acerca de um empréstimo com o BNDES.

Rial disse que as montadoras têm maior probabilidade de usar dívidas com garantias, sem especificar como isso ocorreria. Ele acrescentou que os hotéis poderiam usar seus ativos imobiliários como garantia de dívidas.

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