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Há sensação de desapontamento com economia, diz FGV

Para economista, resultados indicam que a indústria não recuperou as perdas dos últimos meses

Economia|Do R7

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A queda no ICI (Índice de Confiança da Indústria), apurada na prévia da Sondagem da Indústria, foi influenciada pelos setores de bens duráveis e de bens de capital, segundo o superintendente adjunto de Ciclos Econômicos da FGV, Aloísio Campelo. 

A pesquisa divulgada nesta quarta-feira (21), revelou que em agosto o ICI caiu 0,7% em relação a julho. Na pontuação, ficou com 98,9, abaixo da média história de 103,8 pontos. "Os setores que influenciaram para baixo são os que refletem o consumo e o investimento. Ambos são voláteis e sujeitos a influências de incertezas, como a taxa de juros", afirmou o economista.


Segundo Campelo, o segmento de bens intermediários indica estabilidade e o de bens não duráveis apresentou pequena alta. Para o economista, os resultados indicam também que a indústria não recuperou as perdas dos últimos meses em que houve manifestações populares em diversas cidades do País.

Campello afirma que o País vinha com um "estoque alto" de confiança, em função dos resultados em 2010, que vem se diluindo "além da real situação da indústria".


— A perda de confiança vai além da questão puramente econômica. Há uma sensação de desapontamento com o crescimento da economia. Como o País saiu bem da crise, isso gerou uma confiança acima do que o resultado da economia demonstrava.

O economista avalia também não haver sinalização de que a desvalorização cambial traga esperança para o setor. Segundo ele, está claro que o dólar vai se estabilizar acima de R$ 2,30, o que geraria um efeito positivo, mas que ainda não está sendo sentido neste momento. Para o economista, o cenário é de expectativas favoráveis para os próximos meses, sobretudo para empresas voltadas para o exterior.


— Teríamos um mercado interno com desaceleração e externo com aceleração, mas com produtos nacionais mais competitivos. Empresas voltadas para o exterior terminam se beneficiando, mas isso demora um pouco.

Há uma "expectativa de diminuição efetiva da demanda", em função principalmente da piora no cenário econômico interno, com o endividamento das famílias e a alta das taxas de juros, na avaliação de Campelo. A redução, entretanto, não afeta o desempenho positivo da indústria neste ano, segundo o economista.

"Há fatores pontuais, como por exemplo, a compra e geração de estoque maior, que pode gerar uma situação de ajuste do nível de capacidade", comentou. Segundo o economista, a queda no Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) (de 84,4% para 83,9%) também pode estar relacionada ao aumento dos investimentos da indústria no início do ano. "A indústria comprou máquinas e equipamentos, então a capacidade produtiva aumentou", acrescenta. A queda no (Nuci) atinge principalmente os setores de bens de capital e de bens duráveis.

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