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Ibama pode aplicar mais multas contra Samarco ainda este ano por desastre em Mariana

Economia|Do R7

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Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO (Reuters) - A presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Marilene Ramos, afirmou nesta quarta-feira que a mineradora Samarco poderá receber novas multas ainda este ano diante dos efeitos do desastre causado pelo rompimento de barragem de rejeitos em Mariana (MG).

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Marilene afirmou que imagens recentes mostram que a mancha na água causada pela lama na foz do Rio Doce ainda está muito forte e que chuvas na bacia do rio voltaram a elevar a turbidez da água de forma muito intensa.

"Como o desastre ainda está em andamento, poderemos ter mais multas (contra a Samarco) ainda este ano à medida que tenhamos constatação de mais danos", afirmou ela à Reuters por telefone.

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A Samarco é uma joint venture das mineradoras Vale e BHP Billiton.

O Ibama já impôs cinco multas de 50 milhões de reais cada contra a Samarco desde o desastre.

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Além disso, a União e os governos de Minas Gerais e do Espírito Santo abriram ação civil pública conjunta cobrando da mineradora a criação de um fundo de 20,2 bilhões de reais para reparação de danos causados pelo rompimento da barragem.

Na segunda-feira, a Vale informou o mercado que a Sohumana Sociedade Humanitária Nacional abriu processo contra a empresa, a Samarco e a BHP pedindo indenização por danos ambientais e patrimoniais de 20 bilhões de reais.

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Segundo dados do Ibama, a catástrofe ambiental atingiu 663 quilômetros de rios e devastou 1.469 hectares de terras, incluindo Áreas de Preservação Permanente (APP). Atualmente, o número de mortos no desastre é de pelo menos 13.

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AUTOLICENCIAMENTO

A presidente do Ibama defendeu que o desastre causado pelo rompimento da barragem da Samarco não cause retrocessos na legislação de licenciamento ambiental, afirmando, em vez disso, que é preciso aprimorar processos para agilizar investimentos no país.

Ela também considerou ser possível nas próximas duas décadas a criação de mecanismos que permitam a existência de autolicenciamento ambiental por empresas baseado em um conjunto de diretrizes cujo cumprimento será fiscalizado por autoridades.

"Eu enxergo o futuro do licenciamento ambiental muito embasado no autolicenciamento, onde nós vamos ter regras gerais e diretrizes estabelecidadas que terão que ser seguidas pelo empreendedor, sem a tutela do órgão ambiental a cada passo do processo", disse Marilene.

Segundo a presidente do Ibama, o órgão não precisaria mobilizar tantos técnicos na função. Atualmente, o órgão tem cerca de 500 técnicos que trabalham diretamente com questões de licenciamento ambiental, disse ela.

"O mais preocupante é que temos essa quantidade de técnicos, mas precisamos de mais porque o trabalho se acumula e as licenças tardam para sair porque não temos pessoal suficiente."

Mais cedo, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Fórum de Meio Ambiente do Setor Elétrico (FMASE) entregaram a representantes do governo federal propostas para modernizar e aperfeiçoar o licenciamento ambiental de usinas hidrelétricas.

O documento, com 19 propostas, inclui pedido para criação de um balcão único de licenciamento e a padronização de prazos e procedimentos para obtenção de licenças ambientais em todos os órgãos do governo.

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