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Indústria brasileira enfrenta recuo em maio após meses de crescimento

Juros elevados, queda da demanda e aumento dos custos seguem pressionando o setor, avalia especialista

Economia|Do R7, com RECORD NEWS

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A produção industrial brasileira caiu 0,2% em maio de 2026, interrompendo quatro meses de crescimento.
  • Setores como petróleo, biocombustíveis e indústrias extrativas foram os principais responsáveis pela desaceleração.
  • Juros elevados, concorrência com produtos importados e a guerra no Oriente Médio impactam negativamente o setor.
  • Apesar do cenário desafiador, indústrias farmacêuticas e automotivas mostraram crescimento em maio.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A produção industrial brasileira caiu 0,2% em maio de 2026, encerrando uma sequência de quatro meses consecutivos em crescimento. Esse foi o primeiro resultado negativo do setor desde dezembro de 2025; apesar da retração mensal, a indústria acumula uma alta de 0,4% nos últimos 12 meses.

Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o resultado foi influenciado principalmente pela desaceleração dos setores derivados de petróleo, biocombustíveis e indústrias extrativas, que apresentavam um desempenho elevado nos meses anteriores.


As maiores quedas foram registradas na produção de álcool etílico, gasolina, minério de ferro e óleos brutos de petróleo, e também no segmento de produtos alimentícios. O desempenho ficou abaixo das expectativas do mercado financeiro, que projetava um crescimento de 0,3% para o período.

Esse resultado está alinhado com um processo de desaceleração que era observado desde 2025, principalmente na indústria da transformação, que encerrou o ano com um recuo de 0,2% do PIB (Produto Interno Bruto), afirma Larissa Nocko, especialista em Políticas e Indústria da CNI (Confederação Nacional da Indústria). Ela acrescenta que os juros elevados continuam afetando a atividade econômica. “O patamar elevado das taxas de juros acaba desacelerando a demanda e encarecendo o crédito, tornando esse acesso ao crédito mais caro, tanto aos consumidores quanto aos empresários industriais”.


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Além dos juros, a especialista citou outros fatores que dificultam o desempenho industrial, como a obsolescência tecnológica e a concorrência com produtos importados.

Mesmo com o resultado negativo do setor em geral, alguns segmentos apresentaram um desempenho positivo em maio. As indústrias farmacêutica e automotiva registraram crescimento, sendo que a produção de veículos está em alta por cinco meses consecutivos.


A guerra no Oriente Médio também tem contribuído para elevar os custos da atividade industrial por meio da alta dos preços do petróleo, com impactos no transporte, energia e outros insumos. “A gente não espera uma reversão do patamar dos preços do petróleo para os patamares pré-guerra. Parte desses custos não vai ser revertida, e isso deve ser transmitido para os custos industriais”, afirma Larissa.

Para os próximos meses, a avaliação da CNI é a de continuação de um cenário desafiador para a indústria de transformação. Apesar do ciclo de redução dos juros, as taxas devem permanecer elevadas ao longo de 2026, limitando a recuperação do setor.


Já a indústria extrativa tende a seguir em trajetória mais favorável, dado que o segmento é menos sensível às oscilações do ciclo econômico e aos efeitos da política monetária, o que deve contribuir para a manutenção de seu desempenho positivo no restante do ano.

Uma pesquisa da CNI mostra ainda que os empresários industriais seguem cautelosos devido ao desempenho abaixo das expectativas, queda da demanda e redução dos pedidos em carteira, enquanto os indicadores de confiança continuam apontando um ambiente pouco favorável para novos investimentos e expansão da produção.

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