Mais de 5,4 milhões de famílias deixam o Bolsa Família após melhora na renda
Governo atribui saída de famílias do programa ao aumento da renda, emprego formal e empreendedorismo
Economia|Do R7, em Brasília
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Mais de 5,4 milhões de famílias deixaram o Bolsa Família desde março de 2023 após aumentarem a renda familiar acima dos limites de permanência no programa. De acordo com o governo federal, parte dos beneficiários conseguiu ingressar no mercado de trabalho formal, empreender ou ampliar a renda mensal.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, o Bolsa Família tem funcionado não apenas como transferência de renda, mas também como mecanismo de inclusão produtiva e ascensão social.
“O Bolsa Família não é só transferência de renda. Ele é um programa que abre portas para as pessoas crescerem. Agora, quem diz isso é a ciência”, afirmou o ministro Wellington Dias.
Atualmente, cerca de 2,44 milhões de famílias seguem na chamada Regra de Proteção, mecanismo que permite ao beneficiário continuar recebendo 50% do valor do benefício por até 12 meses após elevar a renda acima de R$ 218 por pessoa, desde que o rendimento familiar não ultrapasse R$ 706 per capita.
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Emprego formal
Dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) cruzados com o Cadastro Único mostram que 80% das vagas formais abertas no primeiro trimestre de 2026 foram ocupadas por pessoas inscritas no CadÚnico.
Segundo Wellington Dias, os números ajudam a rebater críticas de que programas sociais desestimulam o trabalho. “Dizem que essas pessoas não são incentivadas a trabalhar, muitos dizem que estimula a preguiça, e isso é puro preconceito. Então eles querem trabalhar. Agora, querem emprego justo”, declarou o ministro.
O governo também afirma que cerca de dois milhões de pessoas inscritas no Cadastro Único e no Bolsa Família estão em cursos profissionalizantes, no ensino superior ou em programas de pós-graduação.
Crédito e empreendedorismo
Outra aposta do governo para estimular a saída das famílias da pobreza é o programa Acredita, voltado para microempreendedores de baixa renda.
A iniciativa já movimentou R$ 15 bilhões em crédito por meio de um fundo garantidor que dispensa avalistas tradicionais.
Entre os MEIs (Microempreendedores Individuais) inscritos no Cadastro Único, 55% começaram a empreender após ingressarem no sistema. O percentual representa cerca de 2,5 milhões de pessoas.
O ministério cita casos como o de Zenilda Aleixo, moradora de Parnamirim (RN), que estruturou a própria loja após conseguir crédito pelo programa, e de Gabriel Rodrigues, de 19 anos, que utilizou cursos da plataforma “Seu Primeiro Passo” para trabalhar com marketing digital e abrir o próprio negócio.
Redução da pobreza
O governo também usa estudos recentes para defender os impactos sociais do Bolsa Família. Pesquisa divulgada pelo NBER (National Bureau of Economic Research), assinada por pesquisadores ligados à Columbia University, Stanford University e Fundação Getulio Vargas (FGV), aponta que a expansão do programa em 2012 elevou os níveis de emprego, reduziu internações hospitalares e evitou cerca de mil mortes entre famílias em situação de extrema pobreza.
Segundo Wellington Dias, os efeitos do programa vão além do combate imediato à fome.
“O efeito é que o Brasil não só tirou quase 30 milhões de pessoas da fome, mas também já alcançamos mais de 14 milhões de pessoas superando a pobreza”, afirmou.
Dados da FGV (Fundação Getulio Vargas) mostram ainda que 17,4 milhões de brasileiros passaram a integrar as classes A, B e C entre 2023 e 2024. Segundo o estudo, parte relevante desse avanço está relacionada ao Bolsa Família e ao BPC (Benefício de Prestação Continuada).
Como funciona o programa
Relançado em 2023, o Bolsa Família atende atualmente 19,08 milhões de famílias, com benefício médio de R$ 678,01 por domicílio. O programa prioriza famílias em situação de pobreza e extrema pobreza, com foco especial em crianças da primeira infância.
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