Logo R7.com
RecordPlus

Melhor distribuição do poder econômico é o principal objetivo da criação do novo banco dos Brics

Brasil e outros 4 países assinam acordo que será nova alternativa para financiamento de projetos

Economia|Roberta Luiza, do R7, em Fortaleza

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window
Os cinco chefes de estado (da esquerda para direita) Dilma Roussef, Narendra Modi (Índia), Vladimir Putin (Rússia), Xi Jinping (China), e Jacob Zuma (África do Sul) se reunirão a partir desta segunda-feira (14)
Os cinco chefes de estado (da esquerda para direita) Dilma Roussef, Narendra Modi (Índia), Vladimir Putin (Rússia), Xi Jinping (China), e Jacob Zuma (África do Sul) se reunirão a partir desta segunda-feira (14)

Ter mais uma alternativa de financiamento de projetos para o Brasil e outros quatro países em desenvolvimento e não depender exclusivamente dos recursos internacionais. Esse é o principal objetivo da criação do novo banco, que será, enfim, oficializada durante a reunião da VI Cúpula dos Brics (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). O encontro de chefes de estado acontece nesta segunda-feira (14) e terça-feira (15), em Fortaleza, e na quarta-feira (16), em Brasília.

A primeira reunião da cúpula ocorreu em junho de 2009, na Rússia, desde então o "esqueleto" do banco vem sendo montado. A previsão para as primeiras operações da instituição financeira é para o início de 2016. A instituição, que provisoriamente é chamada de Novo Banco de Desenvolvimento, se espelha no Banco Mundial e terá capital inicial de US$ 50 bilhões (cerca de R$ 111 bilhões), os cinco países do bloco vão subscrever desse capital em partes iguais de US$ 10 bilhões (cerca de R$ 22,2 bilhões) cada.


No entanto, o banco já tem capital autorizado de até US$ 100 bilhões (cerca de R$ 222,1 bilhões). Segundo o embaixador José Alfredo Graça Lima, subsecretário-geral de Assuntos Políticos II do Ministério das Relações Exteriores, o banco vai financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável nos países dos Brics e outras nações em desenvolvimento que precisarem dos recursos. Para o embaixador, a criação do banco é um reflexo do progresso que esses nações tiveram no sentido de acumular reservas a ponto de poder trabalhar para ajudar os membros dos Brics.

De acordo com o professor Roberto Goulart Menezes, do IREL da UnB (Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília), a criação do banco, apesar de ainda não ter resultados efetivos, é positiva para os países membros, em especial para a África do Sul e Índia que terão mais uma fonte para o financiamento de obras de infraestrutura.


Menezes, que é coordenador do Núcleo de Estudos Latino-Americanos do IREL/UnB, lembra que o Brics é uma coalizão, ou seja, foi criado para coordenar posições comuns dos cinco países membros em um tema específico — a reforma do sistema financeiro internacional e dos organismos multilaterais que operam esse sistema. 

— O objetivo dos Brics é a revisão da distribuição do poder de voto no FMI (Fundo Monetário Internacional). A primeira conquista dessa coalizão foi em 2010, quando os países que integram o G-20 financeiro (a União Europeia e as 19 maiores economias do mundo), concordaram em rever o poder de voto e os Brics passariam de 11% para 14%. No entanto, a reforma está parada no Congresso dos Estados Unidos aguardando a apreciação dos congressistas há mais de três anos.


O professor da UnB lembra que, desde 1951, o Brasil já possui o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que dispõe atualmente de R$ 240 bilhões para financiar o desenvolvimento com obras de infraestrutura, ampliação da capacidade de produção das empresas, aquisição de empresas dentro e fora do País, entre outras.

Fundo de reservas


Além da criação do Novo Banco de Desenvolvimento, também será assinado durante a VI Cúpula do BRICS o acordo para a efetivação do CRA (Arranjo Contingente de Reservas), uma espécie de fundo de socorro para os países emergentes. 

O Arranjo Contingente, que se espelha ao FMI, terá montante inicial de US$ 100 bilhões (cerca de R$ 222,1 bilhões) e constituirá linha de defesa adicional para os países do BRICS em eventuais cenários de dificuldades de balanço de pagamentos. Desse total, a China responderá por US$ 41 bilhões (cerca de R$ 91 bilhões); Brasil, Rússia e Índia, por US$ 18 bilhões cada (cerca de R$ 39,9 bilhões); e a África do Sul, por US$ 5 bilhões (cerca de R$ 11,1 bilhões).

Segundo o embaixador Graça Lima, o acesso aos recursos do fundo dependerá da análise de duas instâncias: um conselho de governadores do fundo e um conselho técnico, que também devem ser definidos.

Encontro de líderes mundiais

A reunião dos cinco chefes de estado em Fortaleza e Brasília deve reascender temas polêmicos e ultrapassar as questões econômicas entre as nações. Dilma Roussef, Vladimir Putin (Rússia), Xi Jinping (China), Narendra Modi (Índia) e Jacob Zuma (África do Sul) podem esbarrar em questões com a situação no Oriente Médio e na Ucrânia durante as reuniões.

A presidente Dilma deve aproveitar os encontros para tratar de negociações comerciais envolvendo os países dos Brics. Desde este domingo (13), na final da Copa do Mundo do Brasil, a presidente Dilma já iniciou os contatos, mesmo que informais, com os chefes de estado dos países dos Brics e também de outras nações, que podem, inclusive, integrar o bloco.

O embaixador Graça Lima prefere, no entanto, afirmar que a participação de outros países é prevista para um estágio posterior e condicionada a critérios ainda em definição. Ele lembra que, mesmo com a integração, os Brics devem conservar controle sobre a maioria das ações do banco.

Leia mais notícias de Economia e ajuste suas contas

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.