Morales descarta se reunir com líderes de Potosí para negociar fim da greve
Economia|Do R7
La Paz, 27 jul (EFE).- O presidente da Bolívia, Evo Morales, descartou receber para uma reunião os dirigentes de Potosí, e os acusou de liderar uma luta política ao sugerir o federalismo, em uma suposta coincidência com dois opositores que estão asilados no Paraguai e nos Estados Unidos, revelou uma entrevista publicada nesta segunda-feira pelo jornal "La Razón". "Evo não está no diálogo, e não vai estar no diálogo, quero que saibam. Não sou quem tem que resolver (as demandas), são os ministros que têm que ir ao diálogo", disse Morales. O Comitê Cívico Potosinista (Comcipo), que lidera a greve que já dura 22 dias em Potosí, começou a negociar com os ministros no sábado as obras de desenvolvimento que reivindicam para a região, mas espera que o presidente firme decretos para aprovar os acordos. Segundo Morales, ele afirmou que não participará das reuniões de diálogo porque não pode permitir que pensem que os ministros "não servem" e também não pode desqualificar o vice-presidente do país, Álvaro García Linera, que convidou sem sucesso os potosinos para negociar. "Não é um problema de reivindicação, mas político. Lamento muito que a cidade de Potosí esteja enganada sobre mentiras e fins políticos", acusou o presidente. Para Morales, o dirigente da Comcipo, Jhonny Llally, coincidiu "na reivindicação de federalismo com dois corruptos que fugiram da Bolívia", referindo-se ao ex-candidato presidencial Manfred Reyes Villa e ao ex-governador de Tarija, Mario Cossío. Reyes Villa está asilado nos EUA e Cossio no Paraguai, após terem sido acusados de corrupção a partir de denúncias do governo, mas eles se declaram perseguidos políticos. Llally negou estas denúncias no fim de semana e defendeu o caráter legítimo dos protestos potosinos por obras para o desenvolvimento de uma das regiões mais pobres da Bolívia. O presidente boliviano também reconheceu na entrevista que está irritado com a direção do movimento cívico porque mentiram na realização de uma marcha até La Paz, onde chegaram em poucos dias porque usaram veículos para viajar. "Quem rouba e quem mente perde autoridade; às vezes não tenho vontade nem de cumprimentá-los", afirmou Morales. Também rejeitou assinar as atas finais das negociações e descartou totalmente duas das 26 reivindicações que os dirigentes de Comcipo e os ministros negociam desde sábado. Ele explicou que a fabrica de cimento que Potosí pede não pode ser erguida porque não será rentável, assim como também não poderão construir um aeroporto internacional para a cidade de Potosí por não haver áreas para isso, apesar de serem obras prometidas por seu governo. As negociações avançaram no fim de semana com os primeiros acordos para fazer estudos sobre duas plantas hidrelétricas pedidas por Potosí, uma sobre o rio Yura, e outra sobre o Pilcomayo, cujas águas chegam à Argentina e ao Paraguai. O encontro dos dirigentes com os ministros foi retomado nesta manhã em La Paz por alguns minutos e depois suspenso até a tarde, à espera da instalação de uma audiência judicial para analisar o caso de quatro detidos potosinos nos protestos de quarta-feira. EFE ja/cd















