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Novo Desenrola para renegociar dívidas é ‘mais uma enrolação’, diz economista

Brasil ganhou 9 milhões de novos inadimplentes desde maio de 2024

Economia|Do R7, com RECORD NEWS

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Brasil enfrenta um aumento de 9 milhões de inadimplentes desde maio de 2024, totalizando 81,7 milhões com dívidas atrasadas.
  • Economista Roberto Troster critica a solução proposta pelo governo, o programa Desenrola, por não abordar as causas do endividamento.
  • Troster sugere três medidas para resolver a crise: parametrizar a Lei do Superendividamento, regular a precificação das dívidas e melhorar a transparência nas operações financeiras.
  • Ele alerta que usando mais um Desenrola pode resultar em mais enrolação, devido à falta de foco nas verdadeiras causas do problema.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O Brasil ganhou 9 milhões de novos inadimplentes desde maio de 2024, situação que “complica a nossa economia”, diz o economista Roberto Troster. De acordo com a Serasa, atualmente, o número de pessoas com as contas atrasadas é de 81,7 milhões. Com o calote do consumidor no maior patamar desde 2012, o governo debate a volta de um programa para os endividados, o Desenrola.

Em entrevista ao Conexão Record News desta quinta-feira (9), o especialista atribui o problema a uma oferta de crédito disfuncional. “O que acontece? Eles estão querendo usar o FGTS para pagar dívidas. Pode aliviar os sintomas, mas não está focando na causa do endividamento e da inadimplência”, diz. Apesar de existirem regras para o uso do crédito, Troster afirma que elas não são aplicadas como deveriam.


Mão segura cartões e papéis
Oferta de crédito disfuncional acentua o problema, diz economista Reprodução/Record News

Ele cita três medidas que alega serem capazes de resolver o problema rapidamente. A primeira seria parametrizar a Lei 14.181/2021, conhecida como Lei do Superendividamento. “Essa lei é como se fosse uma recuperação judicial para pessoa física”, explica. Em vez de precisar recorrer ao Judiciário, os próprios bancos poderiam negociar as dívidas.

“A segunda coisa, regras de precificação”, pontua. “Aqui a precificação é um vale tudo. Qualquer um põe o preço que quer na taxa de juros. Você tem taxas de juros 300%, 400%, 500% ao ano. Você tem que fixar a instituição que cobra risco e precifica de acordo com o risco”, diz o economista.


Mas o mais importante, ressalta Troster, é a participação do governo em duas frentes. “Em muitas operações, a parte do leão é maior que a parte que fica com o banco. Isso tem que ser corrigido. Falta transparência.”

Além disso, é problemática a pressão fiscal. “Hoje você atrasa um tributo um dia, depois começa a corrigir pela Selic e mais multa. Alguém que tem um problema temporário fica insolvente depois de um tempo. Você tem que mudar; mudando essas três coisas, você consegue resolver. Usando mais um Desenrola, vai ser mais uma enrolação”, conclui.

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