Oferta cresce e soja pode enfrentar crise de preços, avalia especialista
Economia|Do R7
Cleyton Vilarino. Foz do Iguaçu, 28 nov (EFE).- Pela primeira vez em dez anos a oferta mundial de grãos está aumentando num ritmo maior que a demanda e as projeções crescentes de produtividade tanto nos Estados Unidos como no Brasil devem derrubar o preço da soja para um patamar próximo dos US$ 8 na Bolsa de Chicago. "É um cenário realmente preocupante de preços. Acho que o produtor brasileiro não entende o que está acontecendo. A maior parte ainda acredita que a demanda sempre estará acima oferta", avalia o sócio-diretor da consultoria AGRBrasil, Pedro Dejneka. Presente no 2º Fórum de Agricultura da América do Sul, em Foz do Iguaçu, o analista ressaltou que o ritmo de crescimento da China, maior importadora mundial de grãos, apesar de ainda ser alto, tem se desacelerado nos últimos anos - de 10% ao ano caiu para 7,3% no terceiro trimestre de 2014, a menor expansão em cinco anos. "Se o preço cair para US$ 8 no ano que vem, a China vai entrar 'de sola' comprando muito. Ao contrário do que alguns acreditam, a China não compra baseada nas margens de esmagamento somente. Compra também por causa de preços. Se eles caem, ela aproveita", explicou Dejneka. Em relação ao clima, Dejneka ressalta que as expectativas são que, com a ocorrência do El Niño em 2015, a produção americana aumente ainda mais, gerando novos recordes na oferta e pressionando os preços do grão no mercado internacional. "Se isso realmente ocorrer e a produção norte-americana for boa, o preço da soja vai para US$ 8 ou menos. E quanto mais o produtor estiver com essa mentalidade de expandir, menores os preços vão ficar", alerta o analista. Segundo ele, este seria o momento para que os produtores estivessem capitalizados para investir por causa da queda geral dos preços. "Quem se posicionar no mercado e se preparar para o futuro vai se beneficiar muito daqui cinco ou seis anos", afirmou o analista. No entanto, mesmo após um período de altos lucros no setor, motivado pela expansão da demanda e a alta dos preços dos grãos no mercado internacional nos últimos anos, o cenário brasileiro não é dos melhores. Os produtores ainda estão endividados por causa dos investimentos realizados para a atual expansão da produção. "É triste, mas tem produtor que poderia estar capitalizado e não está. Infelizmente, se em 2015 os preços menores realmente se consolidarem, vai ter muito produtor aqui que vai sofrer, sobretudo se o dólar não subir para perto de R$ 2,60", destaca Dejneka. EFE. cv/lvl















