Oito em cada 10 sofreram impacto emocional por conta das dívidas
Segundo pesquisa da CNDL e do SPC Brasil, 82,2% tiveram sentimentos negativos ao saberem que estavam endividados. Ansiedade foi o mais citado
Economia|Do R7

Pesquisa divulgada nesta segunda-feira (16) pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) mostra que estar com as contas em atraso afeta a saúde física e mental dos endividados. Oito em cada dez inadimplentes (82,2%) afirmaram ter sofrido com algum tipo de sentimento negativo ao descobrir que estavam endividados.
Leia mais: Bolsas da Ásia e Europa despencam nesta segunda por coronavírus
De acordo com Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil, a pesquisa é relevante para mostrar as consequências da inadimplência. "O levantamento é importante porque evidencia algo de que já desconfiávamos, que as frustrações e incertezas provocadas pela inadimplência não se restringem ao campo financeiro, tendo impacto significativo também na saúde física e emocional dos endividados".
Os sentimentos mais citados pelos entrevistados foram ansiedade (63,5%), estresse e irritação (58,3%), tristeza e desânimo (56,2%), angústia (55,3%) e vergonha (54,2%), sendo esta última mais frequente entre as mulheres (57,6%) do que entre os homens (49,4%).
75% tiveram o padrão de vida afetado
Sete em cada dez entrevistados disseram ter sofrido o impacto das dívidas no padrão de vida.
Para três em cada dez (30,8%) o principal temor dos endividados é não conseguir pagar a dívida. Parcelar novas compras (13,8%), ser considerado desonesto (11%), não conseguir emprego (8,5%) e não poder fazer empréstimos (8,2%) também foram citados pelos entrevistados.
Atividades para não pensar na inadimplência
Quatro em cada dez endividados (40,8%) disseram se dedicar a atividades que os ajudassem a não pensar nos problemas financeiros, 28,2% aliviaram suas ansiedades em algum vício (como cigarro, bebida ou comida) e 24,7% acabaram comprando mais do que de costume.
42,8% dos entrevistados relataram terem sofrido com insônia ou excesso de vontade de dormir e 32,3% apresentaram modificações no apetite.
Produtividade no trabalho e nos estudos
Três em cada dez ficaram mais desatentos ou menos produtivos no trabalho e/ou nos estudos após saber das dívidas.
“Caso a pessoa não identifique ou busque controlar esse tipo de comportamento no ambiente de trabalho, ela pode correr o risco de perder o emprego, ficar sem fonte de renda e, consequentemente, se afundar ainda mais nas dívidas. Por isso, é de extrema importância que a pessoa tenha maturidade para encarar o problema de frente, por mais desconfortável que seja”, conclui Kawauti.
Metodologia
Foram entrevistados 600 consumidores que estavam com contas em atraso há mais de três meses em 2019, com 18 anos ou mais, de todos os sexos, classes sociais e regiões. A margem de erro é de 3,97 pontos percentuais para um intervalo de confiança de 95%.















