‘Páginas amarelas’ virtuais ajudam profissionais a faturar grana extra
Plataforma ajuda na conexão de interessados em habilidades específicas, como jogar videogame, passear com cachorro e ser goleiro
Economia|Alexandre Garcia, do R7

Estudante de direito e motorista de Uber desde o final do ano passado, Alan Holanda, de 40 anos, encontrou uma forma de utilizar a habilidade de goleiro para faturar uma renda adicional em jogos de grupos de amigos que não têm um arqueiro para atuar nas peladas.
“Eu gosto de jogar bola. Sou goleiro e já fui federado. Como goleiro de aluguel, além de ganhar uma grana extra, tenho a oportunidade de conhecer pessoas novas’, revela Holanda, que diz cobrar entre R$ 50 e R$ 80 por partida.

A possibilidade de faturar uma grana extra foi encontrada por Holanda com o auxílio da plataforma OITO, uma espécie de classificado de empregos online. “O portal funciona como as antigas páginas amarelas, onde as pessoas encontravam profissionais para serviços específicos”, explica Karine Gonzaga, cofundadora da OiTO.
“As pessoas anunciam suas habilidades e não precisam ter um diploma para se cadastrar. Basta saber executar bem o serviço”, diz a Karina, que ainda destaca o caráter 100% solidário da plataforma. “O serviço é totalmente gratuito, tanto para o prestador de serviço, quanto para os clientes.”
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O diretor-técnico do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), Clemente Ganz Lúcio, avalia ferramentas como a OITO, que conectam as pessoas conforme suas necessidades, como uma forma de reduzir o elevado índice de desemprego, que aflige mais de 12 milhões de brasileiros.
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“Se a pessoa desenvolveu qualquer atividade remunerada, ela aparece como uma pessoa ocupada. Se o prestador de serviço tiver trabalhado menos do que desejava, vai aparecer com capacidade subutilizada", explica o diretor-técnico do Dieese.
Atualmente, a metodologia utilizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) lista como desempregado o profissional que estão em busca de uma colocação no mercado de trabalho e não a encontram.
Ganz Lúcio, no entanto, lembra o caso do Uber e atenta para a necessidade de regulamentação das novas formas de trabalho que surgem no mercado. “Ao mesmo tempo em que é uma coisa nova, tem uma série de regras e normas trabalhistas que precisarão aparecer pela frente”, observa ele.
Habilidades
No sistema desenvolvido por Karina e outros sete amigos, é possível encontrar profissionais para as mais diversas áreas de atividade. “A ideia do portal surgiu para que as pessoas divulguem suas habilidades e possam ganhar um dinheiro extra com isso”, avalia a cofundadora.

Além do goleiro de aluguel, Karina cita com entusiasmo as seções disponibilizadas para avós de aluguel, passeadores de cães e gamers. “A gente tem uma aba chamada ‘ajudinha’ e nela aparece a vovó de aluguel, que é uma pessoa geralmente aposentada, que sabe arrumar bem um armário. Tem muita gente que precisa disso”, afirma ela, que completa: “Nossa intenção é mostrar para as pessoas que não é necessário ter um diploma executar uma atividade e ganhar dinheiro”.
De acordo com a cofundadora da OITO, todas as habilidades presentes na plataforma foram escolhidas a partir de estudos de marcado. “Foi tudo baseado no atual cenário de desempregados e no mercado com um novo perfil, de que as pessoas aceitam uma ajuda para escolher algo no shopping ou alguém para arrumar seu armário”, conta Karina, que revela o desenvolvimento de um aplicativo para ser lançado em breve.















