Passo a passo: aprenda a investir no Tesouro Direto
Tesouro é uma das melhores alternativas para os investidores aproveitarem os juros elevados
Economia|Richard Rytenband, comentarista de Economia da Record News

O Tesouro Direto é uma das melhores alternativas para os investidores aproveitarem o patamar elevado das taxas de juros.
A sua característica democrática que permite aos pequenos investidores acesso a retornos atrativos, anteriormente restritos a aplicações com fundos de investimentos e produtos bancários que exigem quantias maiores, está atraindo cada vez mais adeptos.
Prova disso é o novo recorde registrado em março, com 33.456 novos participantes, o maior número desde o início do programa. O total de investidores cadastrados ao fim do mês atingiu 708.711, o que representa aumento de 46,3% nos últimos doze meses.
Mas, apesar dos recordes, este patamar ainda é baixo, perto do número de pequenos aplicadores, que ainda optam por opções como a caderneta de poupança, ou mesmo quem ainda não se tornou um investidor.
Para esclarecer as principais dúvidas, elaborei um guia do passo a passo para quem deseja investir no Tesouro Direto, e mesmo para aqueles que já investem, e desejam aprimorar seus conhecimentos e estratégias.
O que é o Tesouro Direto?
É uma parceria do Tesouro Nacional e da BM&FBOVESPA para venda de títulos públicos federais para pessoas físicas, por meio da internet.
O que são títulos públicos federais?
São instrumentos de renda fixa emitidos pelo Governo Federal para cobrir o déficit orçamentário e/ou antecipar receitas. Em outras palavras, você está emprestando o seu dinheiro ao governo federal em troca de uma remuneração que dependerá do tipo de título e o prazo do título adquirido.
O que é preciso para investir no Tesouro Direto?
Basta ter um CPF e escolher uma instituição financeira que poderá ser um banco ou corretora.
Esta instituição será o seu agente de custódia, e vai intermedias suas compras e vendas com o Tesouro Nacional.
Quais são os custos para utilizar o Tesouro Direto?
São duas as taxas cobradas no Tesouro Direto:
1.Taxa de custódia da BMF&BOVESPA de 0,3% ao ano, referente aos serviços de guarda dos títulos e às informações e movimentações dos saldos;
2. taxa das instituições financeiras que varia de 0% a 2% ao ano, independentemente do valor do seu investimento. Para consultas a lista das instituições habilitadas e a taxa que elas cobram acesse:
http://www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro-direto-instituicoes-financeiras-habilitadas
Como escolher a melhor instituição financeira?
A melhor instituição financeira para a sua necessidade será a que oferecer uma taxa competitiva, um excelente departamento de atendimento ao cliente e uma parte educacional ativa e à disposição para enriquecer o repertório de conhecimento do investidor.
Qual é a aplicação mínima?
Quantidade mínima de compra é a fração de 0,01 de um título, ou seja 1% do valor de um título, desde que respeitado o valor mínimo de R$ 30,00.
Por exemplo, se um título está cotado no momento a R$ 2.900,00, a fração de 0,01 representaria R$ 29,00, o que não respeita o segundo critério de valor mínimo de R$ 30,00, portanto seria necessário comprar ao menos 2% do valor do título, ou seja R$ 58,00.
O valor máximo para aplicação é de R$ 1 milhão por mês, e não há limite financeiro no caso de vendas.
Em que horários posso comprar e vender os títulos?
O site do Tesouro Direto e dos Agentes Integrados ficam disponíveis para consulta 24 horas por dia, 7 dias por semana.
Os investidores podem realizar compras no Tesouro Direto todos os dias, entre às 9 horas de um dia às 5 horas do dia seguinte.
As vendas dos títulos podem ser feitas nos dias úteis, das 18 horas às 5 horas da manhã do dia seguinte e nos finais de semana e feriados em qualquer horário.
Como funciona a tributação?
Os impostos cobrados sobre as operações realizadas no Tesouro Direto são os mesmos que incidem sobre as operações de renda fixa, como fundos de investimento e CDBs:
IOF (imposto sobre operações financeiras) regressivo cobrado somente em aplicações com prazo inferior a 30 dias e IR regressivo sobre os rendimentos, conforme prazo de permanência com o título abaixo:
Tabela do IR devido para determinado prazo de permanência:
Até 180 dias (22,5%)
De 181 a 360 dias (20%)
De 361 a 720 dias (17,5%)
Acima de 720 dias (15%)
O Imposto de Renda só é cobrado no vencimento do título, no recebimento de juros semestrais ou em caso de venda antecipada.
Quais são os tipos de títulos e qual devo investir?
A primeira coisa a fazer é definir o horizonte de investimento, pois existem títulos com vencimento no curto (1 ano ou mais), médio (3 anos ou mais) e longo prazo (10 anos ou mais).
O ideal é casar o horizonte de investimento com o vencimento do título, caso contrário o investidor estará sujeito às flutuações nos preços dos títulos ao longo do tempo.
Basicamente são dois tipos, os prefixados e pós-fixados.
Prefixado:
No prefixado você sabe a rentabilidade nominal que irá receber se mantiver o título até a data do vencimento.
Exemplo: Um título prefixado que pague 12% ao ano pelos próximos 2 anos.
Os títulos disponíveis nessa modalidade são: LTN (Tesouro Prefixado) e NTN-F (Tesouro Prefixado com Juros Semestrais).
O momento ideal para investir é quando nossa expectativa é de queda para a taxa básica de juros (Selic) no futuro, e justamente por isso estamos investindo em um título com uma taxa de juros predeterminada e que julgamos que no futuro não estará mais disponível.
Pós-fixados:
Neste caso só conhecemos a rentabilidade nominal na data do vencimento ou na venda antecipada.
Os títulos disponíveis nessa modalidade são:
a) Tesouro Selic (LFT) que acompanha a evolução da taxa básica de juros, a taxa Selic.
O momento ideal para investir é quando nossa expectativa é de alta para a taxa básica de juros no futuro e para horizontes de investimento de curto prazo.
b) Tesouro IPCA + Juros Semestrais (NTN-B) e Tesouro IPCA (NTN-Principal) que oferecem uma taxa de juros predefinida no momento da compra do título mais a variação da inflação, apurada pelo IPCA.
Nestes títulos o investidor no momento da aquisição sabe qual será a taxa de juro real, ou seja, já descontada a inflação do período, se mantiver o título até a data do vencimento.
Por exemplo, um título Tesouro IPCA que foi comprado com uma remuneração de 6,5% ao ano + IPCA com vencimento em 2019, significa que o investidor vai receber até o vencimento uma taxa de juro real (descontada a inflação) de 6,5% ao ano.
O momento ideal para investir é quando nossa expectativa para a taxa de juro real (taxa básica de juros descontada à inflação) no futuro é de baixa, e, portanto, estamos aproveitando elevadas taxas de juro real e que julgamos que no futuro não estarão mais disponíveis.















