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Pix no Mercosul? Especialistas discutem se proposta de Lula é viável ou se ficará no papel

Presidente sugeriu que o sistema de pagamentos fosse adotado por todo o bloco, mas medida pode enfrentar obstáculos estruturais

Economia|Do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O presidente Lula propôs expandir o sistema de pagamentos Pix para toda a América do Sul, buscando integrar os países do Mercosul.
  • Renan Silva, do Ibmec Brasília, considera a iniciativa ambiciosa, mas ressalta desafios de coordenação política e regulatória.
  • O economista Vanderson Aquino destaca que o Pix no Mercosul beneficiaria o turismo, comércio de fronteira e pequenas empresas, mas alerta para a necessidade de padronização global.
  • A internacionalização do Pix seria gradual, exigindo investimentos em infraestrutura tecnológica e coordenação entre bancos centrais e governos.

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Internacionalização do Pix exigiria investimentos em tecnologia e integração Marcello Casal Jr./Agência Brasil - Arquivo

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sugeriu que o Pix seja expandido para toda a América do Sul, em um sinal de integração entre os países do bloco aduaneiro: “Experiências nacionais bem-sucedidas devem ser compartilhadas entre os países do bloco. [...] Sua arquitetura [a do Pix] pode servir de base para uma infraestrutura de pagamentos que beneficie todos os cidadãos do Mercosul”, disse Lula nesta semana, em discurso na cúpula do Mercosul, no Paraguai.

Especialistas ouvidos pelo R7 ressaltam os desafios de coordenação política e regulatória.


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De acordo com Renan Silva, professor de economia do Ibmec Brasília, estender o Pix aos países vizinhos é uma iniciativa “tecnicamente ambiciosa”. O especialista aponta que a medida visa solucionar gargalos históricos de integração regional, mas esbarra em complexos desafios de coordenação política e regulatória.

“Diferente da proposta de uma moeda única, que exige uma convergência macroeconômica profunda, metas fiscais compartilhadas e perda de autonomia da política monetária nacional, o ‘Pix no Mercosul’ é uma integração de infraestruturas. O maior desafio seria a interoperabilidade entre sistemas diferentes, o que torna o processo oneroso”, explica o economista.


Silva ressalta que esse modelo de integração preservaria o Real, o Peso e o Guarani, mantendo a soberania cambial de cada nação. Contudo, a implementação exigiria que os Bancos Centrais parceiros adotassem os mesmos padrões técnicos.

“Nesse contexto, a solução não é o uso do sistema brasileiro isolado, mas a criação de uma rede que interconecte esses sistemas nacionais, o que demanda que os parceiros invistam em infraestrutura tecnológica compatível”, destaca o professor.


Os impactos da internacionalização

Caso o sistema fosse, de fato, integrado por todo o Mercosul, os impactos econômicos seriam extensos. A professora do curso de Relações Internacionais da PUCPR Natali Hoff aponta que, entre os setores mais favorecidos caso o plano saísse do papel, o turismo se destacaria.

“Seria muito mais fácil para um turista argentino ou paraguaio, por exemplo, vir aqui no Brasil e poder pagar usando o PIX. Também facilitaria para um brasileiro poder fazer esse tipo de transação quando for viajar para outro país”, diz.


“Ainda mais, considerando que estamos em um período no qual o dólar ainda está bastante alto, viajar para fora do continente está caro. Então com certeza seria positivo, além dos turistas, para os pequenos e médios consumidores, que diminuiriam custos”, completa.

Hoffi também defende que a integração do sistema a todo o bloco econômico abriria espaço para a discussão sobre a utilização de mecanismos em comum no âmbito global.

“Acho que aprofundaria um processo de integração que já vem sendo discutido há muitos anos e seria favorecido com a maior circulação de pessoas e de produtos por meio da economia intrarregional”, ressalta a especialista, que pondera sobre o fato do país já participar de projetos globais de pagamento instantâneo como o Nexus, do Bis .

“As iniciativas seriam muito mais complementares do que competitivas. Esses planos globais procuram maneiras de estabelecer padrões internacionais para conectar diferentes sistemas de pagamentos, facilitando trocas tanto para indivíduos quanto para empresas, para os próprios países. Seria usar uma iniciativa que deu muito certo no âmbito doméstico e tentar a transpor para o contexto internacional”, pontua.

Lula e o Mercosul

Não é a primeira vez que o presidente Lula sugere iniciativas para facilitar as relações financeiras de países parceiros do Brasil. Em 2023, em seu primeiro ano neste mandato, Lula criticou o uso do dólar e defendeu a utilização de uma moeda comum única entre os países do Brics.

“Hoje, um país precisa correr atrás de dólar para poder exportar, quando ele poderia exportar na própria moeda. Os bancos centrais certamente poderiam cuidar disso. Por que um banco, como o do Brics, não pode ter uma moeda que possa financiar a relação comercial entre Brasil e China? E entre outros países dos Brics?”, questionou o presidente, durante a cerimônia de posse de Dilma Rousseff como presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), em Xangai, na China.

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