Proibir seis dias de trabalho ‘prejudica a sociedade como um todo’, diz presidente da Abrasel
Paulo Solmucci diz que interesse do governo pela pauta é eleitoral e defende debate ‘com calma’
Economia|Do R7, com RECORD NEWS
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Se aprovado o fim da escala 6x1, o presidente da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), Paulo Solmucci, prevê consequências muito graves para o setor alimentício. Em entrevista ao Link News, ele defende que um dia a menos de trabalho pode reduzir os ganhos dos funcionários e precarizar a oferta de serviço.
“Achar que uma pessoa que vai trabalhar um dia a menos vai ter renda disponível para gastar mais… às vezes até vai diminuir. Nós temos empresas que fizeram teste no nosso setor e os funcionários pediram para voltar atrás”, afirma. “É um setor que lida com mão de obra de renda muito baixa. Nós temos os salários mais baixos do país, R$ 2,2 mil em média.”

Solmucci acredita que a possibilidade de negociação entre trabalhador e empregador seria o modelo ideal. Ele alega que tanto o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, quanto o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, já afirmaram que o tema “não era assunto para lei”. Nos últimos meses, no entanto, ambas as figuras se tornaram defensoras ativas do projeto de lei que reduz a jornada de trabalho, enviado ao Congresso Nacional no último dia 13 de abril.
Para o executivo, a urgência da pauta é fruto de pressão eleitoral. “A eleição foi se aproximando, tem problemas, eventualmente, de opinião pública contrária, e o governo abraçou esse discurso de votar essa coisa rapidamente”, alega. “Nós somos a favor da redução da jornada de 44 horas para 40, reduzir o número de horas trabalhadas por semana. Mas proibir a pessoa de trabalhar os seis dias é prejudicar a sociedade como um todo.”
Instaurada comissão especial na Câmara dos Deputados, o assunto passa a ser debatido em caráter de urgência a partir desta quarta-feira (29). Solmucci aponta uma dificuldade do setor empresarial nas conversas com o governo federal e reforça que o assunto precisa ser discutido “com calma”. Segundo ele, o custo do fim da 6x1 “é real e não pode ser ignorado”.
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