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Recorde na poupança não alavanca venda de imóveis de médio padrão

Com saldo próximo dos R$ 600 milhões, caderneta já financiou 162 mil compras e construções de imóveis em 2018

Economia|Alexandre Garcia, do R7

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Vendas de médio e alto padrão seguem em queda
Vendas de médio e alto padrão seguem em queda

O saldo de recursos presentes na poupança saltou 7% entre janeiro e setembro deste ano, se aproximou dos R$ 600 bilhões e puxou o crescimento no número de financiamentos com a grana da caderneta. Apesar do recorde, a venda de empreendimentos de médio e alto padrão segue em baixa.

Segundo dados da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias), a comercialização de 33.893 unidades de médio e alto padrão no acumulado do ano até agosto representa uma queda de 2% em relação ao mesmo período do ano passado.

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De acordo com Rafael Sasso, sócio da Melhor Taxa, a procura pelos financiamentos foi notada nos últimos meses e atribui a estagnação nas vendas de médio e alto padrão ao cenário de incerteza econômica nacional.

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“As pessoas querem se endividar em um momento em que tenham mais certeza da situação. Talvez, despois que passar as eleições, nós tenhamos um crescimento importante desse segmento”, avalia.

A percepção de Sasso é a mesa partilhada por Daniele Akamines, advogada especialista em mercado imobiliário. Ela afirma que o ambiente atual do mercado foi ocasionado pela alta do desemprego e da incerteza política.

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“No médio e alto padrão, onde os consumidores compram para investir ou mudar para um imóvel melhor, as pessoas preferem esperar para ver como vai se desenhar a situação e saber se vale a pena entrar em uma dívida”, explica ela.

Ainda que a comercialização de imóveis de médio e alto padrão estejam em baixa, dados da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) mostram que foram financiadas 162 mil compras e construções de imóveis no Brasil com a utilização dos recursos da poupança nos primeiros nove meses do ano, alta de 23% em relação ao mesmo período do ano passado.

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Em junho, a agência de classificação de risco Moody’s já previa que o mercado de financiamento imobiliário brasileiro ganharia força. O relatório afirma que o movimento seria fruto do ”declínio gradual da inadimplência nas faixas de atraso iniciais, e o resultado da classe média lentamente voltado a uma situação financeira mais sólida após a recessão econômica”.

Diante do cenário atual, Sasso já observa uma movimentação das construtoras para driblar a estagnação do setor: "Várias incorporadoras que fizeram médio e alto padrão nos últimos anos agora passaram a focar mais na média e baixa renda e em imóveis do Minha Casa Minha Vida”.

MCMV

Os imóveis do programa Minha Casa Minha Vida aparecem na contramão das unidades de médio e alto padrão. De acordo com a Abrainc, somente neste ano já foram vendidos 76.205 imóveis do segmento, valor que representa uma alta de 21,5% em relação aos oito primeiros meses de 2018.

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Daniele avalia que a concentração do aumento das vendas nos empreendimentos de baixa renda devido ao déficit habitacional maior do setor. “É o segmento onde as pessoas conseguem comparar”, afirma a advogada.

De acordo com Sasso, os compradores dos imóveis de baixo padrão têm menos incertezas na hora de decidir a respeito da aquisição. “Muitas vezes, ele está apertado com aluguel e, dependendo da modalidade, vale muito a pena trocar o aluguel por um financiamento”, destaca ele.

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