Retirada de grau de investimento do Brasil deve fazer dólar disparar amanhã
Economistas afirmam que o mercado deve reagir mal após decisão da Standard & Poor's
Economia|Do R7

A agência de classificação de riscos Standard & Poor's retirou o selo de bom pagador do Brasil nesta quarta-feira (9), após o governo brasileiro mudar o cenário fiscal para 2016, com uma projeção de déficit primário. Com isso, a expectativa de economistas é de que a decisão da S&P seja refletida com a valorização do dólar e queda da Bolsa amanhã.
Além de retirar do Brasil o grau de investimento, a S&P sinalizou que pode colocar o Brasil ainda mais para dentro do território especulativo ao manter a perspectiva negativa para a nota brasileira.
O economista da Rio Bravo Investimentos acredita que o impacto amanhã deve ser negativo, mesmo sem a decisão ser uma surpresa para o mercado.
— O pior de tudo foi a manutenção da perspectiva negativa, o que significa que pode ter mais um rebaixamento a qualquer momento. Um dólar a R$ 3,90 na quinta-feira é um cenário bem provável.
Para o economista-chefe do banco fator, José Francisco Gonçalves, mesmo que tal decisão já estivesse na conta, o mercado deve reagir mal. Ela avalia que os investidores vão olhar com dúvidas sobre o efeito na parte fisca.
— O mercado pode olhar [a decisão da S&P] como pressão para cortar despesa, mas também algo que apresse no que diz respeito a arrumar impostos. A avaliação deve ser ambígua. Mas certamente dá força ao Congresso Nacional nas discussões.
Saiba como o rebaixamento da nota de crédito do Brasil afeta a sua vida
Leia mais sobre Economia e ajuste suas contas
Roberto Padovani, economista-chefe da Corretora Votorantim afirma que a retirada do grau de investimento do País “era apenas uma questão de tempo”. Segundo ele, a crise política levou à descoordenação na área econômica.
— Mercados vão obrigatoriamente ter uma reação forte. Vai demorar para o País recuperar a condição de grau de investimento. Entramos numa espiral complicada que não sabemos quando acaba.
Já o sócio-gestor do Leme Investimentos Paulo Petrasssi afirma que o Orçamento negativo “foi a gota d’água” para a decisão da agência de risco. Para ele, o Brasil vai ter que aprender a lição.
— Muita gente diz que o downgrade [rebaixamento] já está no preço, mas tem aplicação que necessita do investment grade [grau de investimento] para permanecer no país e essas vão fugir. O reflexo nos mercados amanhã vai ser terrível, e a curva ´[de juros futuros] deve empinar.
Petrasssi avalia que agora o primeiro passo é o BC (Banco Central) não ficar atrás do mercado e deixar mais aberta a possibilidade subir a taxa de juros. Na avaliação dele, se o dólar for a R$ 4, serão necessárias novas altas da Selic.
— O problema é que subir juros com o fiscal como está é enxugar gelo: ele precisa do respaldo fiscal. E é cortar gastos, não subir impostos.
O sócio da Schwartsman & Associados Alexandre Schwartsman, por sua vez, afirma não ter dúvida de que o motivo para a retirada do grau de investimento foi a questão fiscal. De acordo com ele, o governo já tinha reduzido a trajetória para superávit primário e depois veio com uma projeção de déficit.
— Talvez não tenha grandes reações do mercado porque já era muito esperado, já estava precificado.















