Revendedores apontam escassez de gás de cozinha em 7 Estados e no DF

Representante do setor afirma que há indicações de o governo e a Petrobras não estavam preparados para o aumento da demanda pelo produto

Abastecimento de GLP está comprometido na BA, ES, GO, MG, RJ, RS, SP e DF

Abastecimento de GLP está comprometido na BA, ES, GO, MG, RJ, RS, SP e DF

Caetano Barreira/Reuters - 2.5.2006

Há uma "escassez" de gás de cozinha em sete Estados brasileiros e no Distrito Federal, diante de uma maior demanda em meio à pandemia do coronavírus, o presidente da associação brasileira dos revendedores do produto, Alexandre Borjaili.

Ele comentou ainda que há indicações de o governo e a Petrobras, responsável pelo abastecimento de GLP no Brasil, não estavam preparados para o aumento da demanda do produto.

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O abastecimento do chamado GLP (Gás Liquefeito de Petróleo) está comprometido na Bahia, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal, segundo levantamento da Associação Brasileira dos Revendedores de GLP (Asmirg-BR) junto às associadas.

"Não há uma transparência sobre o que a Petrobras está produzindo hoje e o que ela está importando", afirmou Borjaili, cuja associação representa mais de 20 mil revendedores de todo país, apontando também uma falta de transparência do governo para lidar com a situação.

"Há um agravante ainda, a partir de amanhã o governo começa a liberar uma ajuda emergencial a toda a população brasileira, a primeira coisa que vão fazer é comprar alimento e gás. Vai ter um aumento da demanda novamente", disse Borjaili, frisando que não há um planejamento por parte do governo para lidar com a situação.

Após negar no início desta semana a falta do insumo, o governo publicou uma nota nesta quarta-feira reconhecendo que há impactos no abastecimento de GLP, por um aumento de 23% da demanda em todo o país, "devido ao isolamento social para evitar o coronavírus, com as famílias ficando mais tempo em casa e adotando novos hábitos".

A pasta disse também que a Petrobras antecipou algumas ações para abril, importando volume equivalente a 27,4 milhões de botijões de gás de cozinha de 13 kg e ampliou sua atual infraestrutura de abastecimento.

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Segundo o ministério, houve ainda o restabelecimento operacional de um duto que liga Santos à Mauá, acrescentando mais um ponto de entrega de GLP próximo aos principais centros de consumo do país e aumentando a velocidade de interiorização do produto.

Na segunda-feira, no entanto, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, chegou a afirmar em uma videoconferência transmitida na internet que havia oferta suficiente de GLP no Brasil e que ainda via espaço para uma queda adicional nos preços do insumo, reiterou Borjaili.

A afirmação fez com que a Asmirg-BR enviasse ao Ministério de Minas e Energia um ofício onde cobrava respostas.

"Estamos sendo rotulados como 'marginais', a cada vez que publicam que existe gás, tanto o Ministério Público como os consumidores querem entrar nas revendas para conferir, estamos prestes a sermos saqueados até mesmo nos botijões vazios, pela falta de transparência dos órgãos que regulam o setor", afirmou Borjaili no ofício.

As informações sobre a falta de gás de cozinha vêm surgindo desde o final de março, o que levou a Petrobras a anunciar uma importação adicional do produto, após uma corrida às compras do botijão em meio a preocupações com a oferta devido a medidas de controle do coronavírus.

No ofício, a Asmirg-BR pede ainda previsões reais da Petrobras quanto ao refino e quantidade importada "diante da necessidade que o Brasil vive".

Procurada, a Petrobras enviou um posicionamento reiterando que está ampliando o fornecimento de GLP a fim de garantir o abastecimento do mercado e voltou a dizer que "não há risco de falta do produto nem há qualquer necessidade de estocar botijões de GLP".

A estatal ressaltou que o volume total contratado em abril para importação é quase o triplo do usual importado em períodos normais.

A empresa reconheceu ainda que houve uma redução do processamento das refinarias, devido a uma queda da demanda dos demais combustíveis como gasolina, diesel e querosene de aviação, e que a redução da produção de GLP pela empresa está sendo compensada pelas importações do produto.