RSF denuncia deterioração geral da liberdade de imprensa no mundo
Economia|Do R7
Paris, 12 fev (EFE).- A liberdade de imprensa se deteriorou de forma geral no mundo em 2014, segundo a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), cuja classificação divulgada nesta quinta-feira mostra que países comandados por ditaduras continuam ocupando os últimos lugares e democracias sedimentadas pioraram nessa lista. "O (ano) de 2014 foi marcado por uma deterioração de 8% de nosso indicador da liberdade da imprensa", informou à Agência Efe o secretário-geral da RSF, Christophe Deloire. A nova classificação, que avalia a situação em 180 países, mantém Eritreia, Coreia do Norte, Turcomenistão e Síria nos últimos quatro lugares, de forma invariável, mas com uma situação ainda mais crítica. No outro extremo, os escandinavos aparecem de novo nas primeiras posições, mas também entre eles o relatório da RSF nota uma deterioração marcada por concentração de meios de imprensa, consequências da crise econômica e incidência de certos extremismos. "Em geral há um vínculo entre a riqueza e a liberdade de imprensa, embora haja exceções. A China continua com sua melhora econômica e cai na classificação, enquanto o Níger, que é um país muito pobre, está no posto de número 47, acima dos Estados Unidos", assinalou Deloire. Tendo em vista a classificação, a RSF mostrou sua inquietação com a continuação do "modelo europeu", incapaz de impor aos governos nacionais melhoras no respeito do trabalho dos jornalistas. "A União Europeia parece superada pela intenção de certos Estados-membros de não respeitar a liberdade de informação", denunciou a RSF, ao assinalar que entre Finlândia, primeira da classificação, e Bulgária, 106ª, nunca houve tanta distância. De fato é na Europa onde foram registradas algumas das principais quedas. A Itália perdeu 24 posições perante a espreita da máfia aos jornalistas, vítimas também de processos abusivos de difamação. A Islândia perdeu 13 posições para ficar no 21º lugar, devido ao endurecimento das relações entre setor político e imprensa, o que justifica que a RSF considera "ameaçada" uma "democracia exemplar". Vinte posições caiu a Venezuela, que passa para o 137º lugar, depois que a Guarda Nacional Republicana disparou contra jornalistas em manifestações, enquanto o Equador caiu 13 posições (108º), por causa de sua nova lei de comunicação que a organização classifica de "censura institucionalizada". O caos político e social levou a República Democrática do Congo a perder 25 posições, a Líbia 17 e o Sudão do Sul seis. Há uma 'estabilidade' nas últimas posições, onde a RSF fala de um "buraco negro" informativo, "uma situação terrível" para os jornalistas, segundo Deloire. A Rússia estão na 152ª posição, quatro mais abaixo frente a última classificação, devido ao endurecimento do cerco que o Kremlin impõe à imprensa crítica, com fechamento de páginas web, demissão de jornalistas e nacionalização de meios de imprensa independentes. Na 49ª posição aparece os Estados Unidos, que em linha com as últimas edições perdeu três, desta vez por causa da pressão que exerceram as autoridades sobre o repórter de "The New York Times" James Risen para que revelasse suas fontes, enquanto se mantém a tensão no caso "Wikileaks". Entre os ascensões, a RSF destacou a Geórgia, que ganhou 15 posições e após três anos de melhora recupera o lugar que tinha antes da guerra de 2008 (69º). A mesma melhora foi registrada pela Costa do Marfim (86º) e Nepal (105º), embora em ambos os países a RSF assegurou que falta muito caminho a ser percorrido. Com dois jornalistas assassinados, frente aos cinco de 2013, o Brasil ganhou 12 posições e está na 99ª posição, pela primera vez entre os cem melhores. Quatro lugares progrediu o México para ficar em 148º, embora a RSF tenha notado uma deterioração da situação nos meses finais do ano com a repressão de jornalistas que cobriam manifestações para pedir justiça pelo desaparecimento de 43 estudantes em Guerrero, e pelo assassinato de três comunicadores. EFE lmpg/ma















