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Saiba começar no agronegócio, como Miguel de 'Amor Sem Igual'

Consultor do Sebrae orienta a fazer um "plano de negócios simples" para quem quer começar no setor, que representa 21,1% do PIB nacional

Economia|Raphael Fernandes*, do R7

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Agronegócio deve crescer mais ainda neste ano
Agronegócio deve crescer mais ainda neste ano

Com um sítio na cidade de Dois Córregos, no interior de São Paulo, Kátia Terciotti e seu marido Darci Terciotti possuem seu próprio agronegócio. O Santa Desolina, sítio em que o cultivo é feito, é uma propriedade pequena, mas de acordo com Kátia é possível produzir muito.

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O negócio começou apenas com a produção de café e depois de algum tempo implementaram o tomate, que não chegou a durar muito devido a uma praga que se espalhou. Como não conseguiu manter a plantação, Kátia começou a cultivar hortaliças para completar as estufas.

Com quatro funcionários trabalhando, hoje eles produzem pimenta, abóbora gigante, mandioca, pitaya, todos os tipos de alface e frutas desidratadas. Apesar da grande variedade na produção, a agricultora disse que a venda das hortaliças e as frutas desidratadas são o foco atualmente. 


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Assim como na novela "Amor sem Igual", da Record TV, o personagem Miguel, vivido pelo ator Rafael Sardão, é um agricultor de Mogi das Cruzes que trabalha no Mercado Municipal. Miguel possui um sítio, no qual produz diversas tipos de verduras e alimentos, e os vende no mercado de São Paulo. 


O personagem Miguel, de 'Amor sem Igual', é agricultor de Mogi das Cruzes
O personagem Miguel, de 'Amor sem Igual', é agricultor de Mogi das Cruzes

Para quem quer empreender no setor, a dica é o planejamento. O consultor do Sebrae no escritório regional de Bauru, Marcelo Rondon Bezerra, diz que antes de tudo é importante realizar um "plano de negócios simples", que passe por alguns pontos principais. Veja a seguir quais são.

Como abrir um agronegócio

1. ​O que ele quer e gosta de fazer


O profissional do Sebrae ressalta que o item mais importante é sobre a aptidão de venda. Ele diz que existem as pessoas que gostam de produzir, mas não gosta de vender. Para esse tipo de investidor o cultivo de alguns alimentos e venda direta para grandes mercados pode ser a solução.

"Tomate, pimentão e pepino. A maioria dos produtores faz isso em campo aberto ou cultivo protegido, mas vai tudo para um Ceagesp ou Ceasa. Ele não tem como ver o preço, o preço estabelecido vai ser do mercado, mas em compensação vai vender o quanto ele produzir. Frutas também têm uma venda mais facilitada".

Por outro lado existem os que gostam de vender e estar "cara a cara" com o comprador, como o personagem Miguel. "Para o produtor que gosta de vender, de oferecer o produto e estar cara a cara com cliente pode optar pela horta, por exemplo. Ovos e frutas em maior variedade também podem ser uma solução".

2. O que a propriedade tem capacidade de suportar 

Bezerra destaca que o tamanho da área é um tópico importante para o planejamento. De acordo com a área, alguns alimentos não podem ser produzidos por falta de espaço. "Não vai plantar uma soja numa área que tiver menos de 80 hectares", disse o consultor.

3. O que o mercado local oferece e quer

O último ponto do plano de negócios diz respeito a estudar o mercado em que irá instalar a empresa. 

Um dos aspectos principais é sobre o investimento que será aplicado. "O investimento é um divisor para decisão correta. Se pode investir numa cultura de longo prazo ou de curto prazo e o quanto pode investir. Avaliar a capacidade de investimento e tempo de retorno", destaca Marcelo.

Plantações no sítio Santa Desolina
Plantações no sítio Santa Desolina

Ao saber do investimento que será feito o produtor sabe quais tipos de produtos pode ou não plantar. "Macadamia só vai começar a ter uma colheita no sexto ano", exemplifica Rondon.

"Saber se na região é fácil contratar mão de obra e quantos funcionários pode ter" finaliza Bezerra.

Documentos necessários

Para registrar a empresa cada estado possui exigências diferentes. Em São Paulo, as documentos necessários são os documentos pessoais e o documento da terra. Em alguns estados somente é necessário o CPF.

Sítio do casal Terciotti fica no interior de São Paulo
Sítio do casal Terciotti fica no interior de São Paulo

Bezerra ressalta que, em São Paulo, o agricultor pode adquirir o CNPJ rural. "O CNPJ rural não transforma o agricultor em pessoa juridica. Muitos agricultores têm receio de abrir um CNPJ rural pensando que vai virar uma pessoa jurídica, mas nesse caso é só para fins de cadastro. Ele continua sendo uma pessoa física".

O consultor também destacou que o CNPJ para agroindústria é diferente. "Importante que ser for agroindústria a o CNPJ é outro, pois é preciso de indústria mesmo".

Expectativa de crescimento

O agronegócio foi responsável por 21,1% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 2018. O setor representa cerca de 42% das exportações e 20% dos empregos do país.

O consultor do Sebrae disse que "2019 já foi bom, mas 2020 tende a ser um ano muito melhor para o agronegócio". No ano passado, as vendas externas do setor somaram US$ 96,8 bilhões.

O valor representa 43,2% do total exportado pelo Brasil, segundo a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

De acordo com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a expectativa da safra de grãos para 2019/2020 é de 246,6 milhões de toneladas, com aumento de 1,9%, equivalente a 4,6 milhões de toneladas em comparação à safra 2018/19.

O Mato Grosso ocupa a primeira colocação no valor bruto da produção, com R$ 101,8 bi em 2019. São Paulo está em segundo lugar, com R$ 78,2 bilhões.

*Estagiário do R7, sob supervisão de Ana Vinhas

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