Setor produtivo rejeita uso da reciprocidade e pede negociação com EUA após tarifa de 12,5%
Entidades afirmam que resposta com Lei da Reciprocidade pode agravar impactos sobre as exportações brasileiras
Economia|Do R7, com Estadão Conteúdo
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Duas entidades que representam o setor produtivo defenderam nesta quinta-feira (23) que o Brasil mantenha as negociações com os Estados Unidos e rejeitaram uma resposta por meio da Lei da Reciprocidade após o governo americano anunciar uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros.
A medida foi adotada pelos Estados Unidos após a conclusão de uma investigação relacionada ao combate à importação de bens produzidos com trabalho forçado. Com isso, parte dos produtos brasileiros passa a enfrentar uma tarifa total de 37,5% para entrar no mercado americano.
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A Abimaq, associação que representa a indústria de máquinas e equipamentos, afirmou que a decisão dos Estados Unidos tem motivação “predominantemente política” e avaliou que uma retaliação brasileira tende a ser pouco eficaz.
Segundo a entidade, a adoção da Lei da Reciprocidade pode comprometer o diálogo entre os dois países. A associação defende que o caminho mais adequado é fortalecer a diplomacia entre os governos e o setor empresarial, preservando os canais de negociação.
O presidente da entidade, José Velloso, também afirmou que a nova tarifa reduz ainda mais a competitividade dos produtos brasileiros nos Estados Unidos. Segundo ele, a expectativa é de queda entre 10% e 11% nas exportações brasileiras de máquinas e equipamentos para o mercado americano.
A Amcham (Câmara Americana de Comércio para o Brasil) também manifestou preocupação com a decisão dos Estados Unidos. De acordo com a entidade, cerca de 3.000 produtos brasileiros, que somam US$ 12,5 bilhões em exportações anuais para o mercado americano, serão atingidos pela sobretaxa.
Segundo os cálculos da entidade, 85,3% dessas vendas, o equivalente a US$ 10,7 bilhões, passarão a acumular a nova cobrança de 12,5% com a tarifa de 25% anunciada anteriormente, chegando a uma sobretaxa de 37,5%.
Na avaliação da entidade, a medida reduz a competitividade das exportações brasileiras, pode aprofundar a retração do comércio entre os dois países, elevar custos para empresas e consumidores americanos, além de afetar cadeias produtivas integradas e investimentos bilaterais.
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