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Tendências e Brasil Plural elevam IPCA para abril

Economia|Do R7

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A inflação alta e generalizada no primeiro trimestre de 2014, que subiu 2,18% ante 1,94% no mesmo período de 2013, levou a consultoria Tendências a elevar sua projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no ano de 6% para um intervalo entre 6,3% e 6,4%, comentou ao Broadcast, serviço de informações da Agência Estado, o economista e sócio da empresa, Juan Jensen. Em março, o indicador avançou 0,92%, acima do 0,83% estimado por ele. "A alta do IPCA do mês passado, muito puxada por alimentos e transportes, colocou um viés de alta para nossa projeção para o índice em abril, que é de 0,63%", destacou.

De acordo com Jensen, a inflação está elevada e mostrou deterioração em março ante fevereiro. O índice de difusão avançou de 64,61% para 71,05% no período e o núcleo MS subiu de 0,51% para 0,59%. "Apesar da redução da média dos núcleos de 0,67% para 0,58%, essa marca anualizada mostra que este indicador está numa velocidade de 7,2%", disse.

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Apesar do cenário pouco favorável para a inflação no curto prazo, que para Jensen deve estourar o teto da meta de 6,5% em junho ou julho, no acumulado em 12 meses o economista ressalta que o cenário mais provável é o Banco Central encerrar o ciclo de alta de juros iniciado em abril de 2013 com mais uma elevação de 0,25 ponto porcentual no dia 28 de maio. "O BC tem vontade de parar o movimento de elevação da Selic porque ele já fez uma elevação grande de 3,75 pontos porcentuais no período e deseja observar os efeitos desta ação na inflação", disse.

Se a política fiscal "não colabora com a atuação do Banco Central, o câmbio é um elemento que "joga a favor" para conter o avanço do IPCA. Segundo ele, levando em consideração uma cotação de R$ 2,20 estável até o final do ano, abaixo dos R$ 2,35 considerado no cenário de referência no relatório de inflação de março, isso retiraria 0,3 ponto porcentual do IPCA. "Isso é daria um fôlego para conter a alta dos preços", destacou. Esse cenário estima que a inflação fechará o ano em 6,1%. "Resta saber se a cotação do dólar ante o real vai continuar dando essa mão no decorrer do ano", disse.

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Brasil Plural

O banco Brasil Plural também alterou para cima sua projeção para o indicador em abril, de 0,74% para uma marca perto de 0,80%, segu do a economista Priscilla Burity. "Neste mês, os preços de alimentos ainda estarão fortes em função do verão muito seco, o que afeta vários produtos, como hortaliças, carnes e tubérculos", comentou. "Além disso, deve haver aumento de remédios, com pressão de alta de vestuário, mais uma colaboração na elevação do IPCA por conta do reajuste de energia da Cemig", ponderou.

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Apesar da alteração da estimativa para o IPCA de abril, Priscilla mantém a projeção de alta de 6,4% para o ano. "A alta dos alimentos é passageira, pois a elevação motivada por fatores climáticos será devolvida em maio e junho", destacou. No entanto, a inflação deve apresentar um patamar elevado nos próximos meses, quando deve estourar o teto da meta de 6,5% em julho ou agosto, no acumulado em 12 meses. "Daí até novembro a inflação ficará acima do teto, nesta base de comparação", destacou. Segundo ela, o pico do IPCA no ano será atingido no penúltimo mês do ano, quando deve registrar um número entre 6,70% e 6,80%.

De acordo com a economista, de fevereiro para março a média dos núcleos do IPCA baixou de 0,67% para 0,61%, mas ocorreu uma elevação do indicador MS, de 0,51% para 0,59%. Outro sinal de que a inflação está bem disseminada na economia é a alta do índice de difusão de 64% para 71%.

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Na avaliação de Priscilla Burity, a força atual do IPCA não deverá levar o IPCA a prolongar o ciclo de elevação da Selic além de maio. No próximo mês, ela acredita que o Copom deverá adotar uma última alta de 0,25 ponto porcentual dos juros e para esse movimento, especialmente por causa da magnitude da elevação da taxa, que já avançou de 7,25% para 11%, desde abril de 2013. "O BC deverá observar os efeitos defasados e cumulativos da alta dos juros sobre a inflação", destacou.

Para a economista, o fortalecimento do real ante o dólar é um fator favorável para o controle a inflação. O banco Brasil Plural estima que o câmbio deverá fechar o ano em R$ 2,50. Como esse preço relativo atingiu a média de R$ 2,36 no primeiro trimestre deste ano e considerando a hipótese de encerrar 2014 na marca atual de R$ 2,20, ela acredita que isso poderá retirar do IPCA 0,40 ponto porcentual num horizonte de 12 meses, de agora até abril de 2015.

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