Economia Tribunal volta a autorizar negociações entre Embraer e Boeing

Tribunal volta a autorizar negociações entre Embraer e Boeing

AGU havia recorrido da decisão que suspendia as transações entre as duas companhias, concedida pela  24ª Vara Cível Federal de São Paulo

Boeing e Embraer

Decisão foi assinada na noite de sexta-feira (21)

Decisão foi assinada na noite de sexta-feira (21)

Paulo Whitaker/Reuters

A desembargadora Therezinha Cazerta, do TRF3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região), determinou na noite de sexta-feira (21) a suspensão da liminar que acabava com as negociações entre as empresas Boeing e Embraer. 

As negociações giram em torno da transferência da parte comercial da Embraer para a Boeing, cuja fusão recebeu aval em 17 de dezembro. A primeira decisão judicial aconteceu na quarta-feira (19), quando a 24ª Vara Cível Federal de São Paulo suspendeu às negociações. 

A decisão da desembargadora atende ao pedido da AGU (Advocacia-Geral da União), que recorreu à Justiça na noite de quinta-feira (20) pedindo a suspensão da liminar. 

Entenda a negociação

De acordo com a parceria proposta, a Boeing deterá 80% de participação na joint venture pelo valor de US$ 4,2 bilhões (R$ 16,4 bilhões). Em julho, quando o acordo foi anunciado, o valor informado para pagamento à Embraer pela Boeing era de US$ 3,8 bilhões (R$ 14,8 bilhões).

A joint venture foi avaliada na ocasião em US$ 4,75 bilhões. Agora, o valor anunciado pela empresa em fato relevante é de US$ 5,26 bilhões (R$ 20,6 bilhões). Pelos cálculos da Embraer, o resultado da operação, líquido de custos de separação, será de US$ 3 bilhões (R$ 11,7 bilhões).

Conforme a companhia, a expectativa é que a parceria não terá impacto no lucro por ação da Boeing em 2020, passando a ter impacto positivo nos anos seguintes. A joint venture deve gerar sinergias anuais de cerca de US$ 150 milhões (R$ 586,5 milhões)  - antes de impostos - até o terceiro ano de operação.

Após concluída a transação, a joint venture da aviação comercial será liderada por uma equipe de executivos sediada no Brasil, incluindo um presidente e CEO.

A Boeing terá o controle operacional e de gestão da nova empresa, que responderá diretamente a Dennis Muilenburg, presidente e CEO da Boeing. A Embraer terá poder de decisão para alguns temas estratégicos, como a transferência das operações do Brasil.

No comunicado, Paulo Cesar de Souza e Silva, presidente e CEO da Embraer, afirma que a empresa está confiante que esta parceria será de grande valor para o Brasil e para a indústria aeroespacial brasileira como um todo.