Logo R7.com
RecordPlus
‌

Vale planeja diversificar negócios e reduzir expressivamente a dívida

Economia|Do R7

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window

Por Marta Nogueira e Alexandra Alper

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A mineradora brasileira Vale planeja reformular sua estratégia, para reduzir a exposição ao minério de ferro, além de buscar reduzir expressivamente sua dívida, afirmou nesta quinta-feira o diretor-presidente da companhia, Fabio Schvartsman, em sua primeira teleconferência sobre resultados.

‌

Na gestão anterior, de Murilo Ferreira, a empresa tinha como meta reduzir a dívida líquida para um intervalo entre 15 bilhões e 17 bilhões de dólares até o fim deste ano.

Schvartsman, que tomou posse em maio, ponderou que a meta de 15 bilhões de dólares deve ser atingida apenas durante 2018, já que no fim do segundo trimestre a dívida líquida da empresa estava em 22,122 bilhões de dólares.

‌

Ele afirmou, no entanto, que ainda considera esse nível de dívida como muito elevado.

"Eu pessoalmente não tenho como target 15 bilhões de dólares para o endividamento da companhia", disse Schvartsman, ao ser questionado sobre o objetivo anterior por um analista de mercado.

‌

"Eu não acho que seja razoável para uma empresa de commodities, que tem uma forte concentração em uma commodity, como é o caso da Vale, de carregar dívida. A dívida da Vale tem que ser o menor possível, seguramente menor do que 15 bilhões e esse é o nosso objetivo", afirmou.

A Vale, maior produtora global de minério de ferro, registrou lucro líquido de 60 milhões de reais entre abril e junho, queda de 98,3 por cento ante o mesmo período do ano passado, apesar de um recorde histórico na produção da empresa no Sistema Sudeste.

‌

O resultado foi fortemente impactado por uma queda dos preços do minério de ferro, pelo efeito da desvalorização do real frente ao dólar e por um menor volume de vendas, devido à estratégia da empresa de aumentar estoques no exterior, mais próximo dos seus principais clientes.

Dessa forma, Schvartsman admitiu que os números foram mais fracos do que o esperado pelo mercado. Entretanto, ressaltou que o terceiro trimestre será mais forte, devido a uma recuperação dos preços do minério de ferro.

O diretor-executivo de Minerais Ferrosos e Carvão, Peter Poppinga, disse que a Vale mantem sua previsão anterior de que o preço médio do minério de ferro em 2017 deverá ficar em torno de 70 dólares por tonelada.

Segundo Poppinga, a previsão é que entrarão cerca de 60 milhões de toneladas de minério de ferro no mercado transoceânico neste ano, ante 120 milhões em 2016.

Ele disse ainda que a Vale será responsável por parte importante do aumento da oferta de minério de ferro daqui em diante com seu projeto S11D, mas assegurou que a mineradora brasileira não irá inundar o mercado com excesso de produção.

"Nosso objetivo não é de jeito nenhum bater recorde de produção, nosso objetivo é bater recorde de resultado", afirmou o presidente da Vale.

Neste ano, a empresa prevê produzir entre 360 milhões e 365 milhões de toneladas de minério de ferro. Nessa linha, a gestão da empresa reforçou seu compromisso com redução de custos.

Poppinga afirmou que a empresa quer entregar minério de ferro na China a um custo abaixo de 30 dólares por tonelada.

As ações preferenciais da Vale fecharam em queda de 0,57 por cento nesta quinta-feira, enquanto o Ibovespa teve alta de 0,41 por cento.

None

REESTRUTURAÇÃO E PLANOS PARA O FUTURO

Schvartsman frisou ainda que a reestruturação societária da Vale, que visa a pulverização do controle da empresa, está indo bem acima das expectativas da gestão da mineradora, com grandes números de adesão por parte dos acionistas minoritários.

Uma das principais etapas a serem vencidas para a reestruturação é uma conversão voluntária de ações preferenciais classe "A" de emissão da Vale em ações ordinárias.

Ao abrir a conferência com analistas pela manhã, o diretor-presidente da Vale destacou que já foi feita internamente uma apresentação sobre um diagnóstico encomendado por ele, que será desdobrado em ações prioritárias nas áreas de performance, crescimento e diversificação.

No entanto, esse diagnóstico ainda será avaliado pelo Conselho de Administração e não deverá ser conhecido pelo mercado antes de setembro.

"Nosso foco é claramente interno nesse primeiro momento, vamos fazer a lição de casa para preparar a companhia. Outros movimentos vão ser feitos depois que a companhia estiver pronta para isso", disse Schvartsman.

Dentre as medidas que deverão ser tomadas, o presidente afirmou que a Vale irá trabalhar com a perspectiva de que os preços do níquel ficarão estáveis durante um longo tempo, em busca de agregar valor aos ativos. Além disso, a empresa não irá investir em nova capacidade.

No caso da produção de níquel do ativo Vale Nova Caledônia (VNC), na Oceania, o executivo explicou que a companhia irá buscar uma operação sustentável, mas não descartou como próximo passo avaliar um possível fechamento, caso o objetivo não seja viável.

Schvartsman disse ainda que vê o mercado de cobre com bons olhos, principalmente devido às perspectivas de crescimento do setor de carros elétricos e baterias. Segundo ele, novas oportunidades no segmento serão avaliadas.

None

SAMARCO

Ao falar sobre a Samarco, joint venture da Vale com a BHP Billiton, o executivo afirmou que não há um prazo para a retomada da produção da companhia, interrompida após o colapso de uma de suas barragens de rejeitos em Mariana (MG), em novembro de 2015.

A última previsão da Vale era retomar a operação da Samarco neste ano.

"Existe um grande alinhamento entre as duas companhias (Vale e BHP) e tenho certeza que encontraremos soluções adequadas para a operação futura", afirmou.

None

(Com reportagem adicional de Pedro Fonseca; Edição de Maria Pia Palermo e Luciano Costa)

Siga R7 no Google e fique por dentro de tudo que acontece

Seguir no Google

Últimas

‌

Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.