Economia Vendas no comércio estabilizam e interrompem série de altas

Vendas no comércio estabilizam e interrompem série de altas

Segundo o IBGE, após ganhos acumulados de 32,2% entre maio e outubro, as vendas tiveram variação de -0,1% em novembro

  • Economia | Pietro Otsuka, do R7

Resumindo a Notícia

  • Vendas no comércio se mantém estáveis em novembro e freiam 7ª alta seguida
  • Queda no consumo de alimentos, que representa 45% do índice, foi principal responsável
  • Setor já está acima (7,3%) do patamar de fevereiro, pré-pandemia do novo coronavírus
  • Venda de veículos também influenciou negativamente. Setor acumula queda de 15,1% em 2020
Vendas no comércio se mantém estáveis e interrompem sequência de altas consecutivas

Vendas no comércio se mantém estáveis e interrompem sequência de altas consecutivas

RENATO S. CERQUEIRA / FUTURA PRESS / ESTADÃO CONTEÚDO - 11.01.2021

Após seis meses consecutivos de crescimento, que acumularam ganhos de 32,2%, as vendas no comércio nacional se mantiveram estáveis em novembro, com variação de -0,1%. Com o resultado, o varejo interrompe a série de seis altas consecutivas, desde maio do ano passado. 

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Os dados constam da PMC (Pesquisa Mensal de Comércio), divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira (15).

Segundo o estudo, a queda no consumo de alimentos foi a principal responsável por frear a sequência de altas do setor.

Na comparação com novembro de 2019, o varejo registrou crescimento de 3,4%, menos que a alta de 8,4% de outubro. Apesar da desaceleração, o setor já se recuperou das perdas por conta da pandemia do novo coronavírus e se encontra, atualmente, 7,3% acima do patamar de fevereiro, pré-pandemia.

Crescimento por setores

Entre as oito atividades pesquisadas pelo IBGE, cinco tiveram alta na comparação com o mês anterior. No entanto, o consumo em hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que têm peso de cerca de 45% no índice geral, teve queda em novembro. 

De acordo com o gerente da PMC, Cristiano Santos, as quedas de 2,2% em relação a outubro e de 1,7% em relação a novembro de 2019 no volume de vendas dessa atividade refletem a inflação.

“Se olharmos, por exemplo, para a receita das empresas dessa área [hipermercados], houve um declínio de 0,8%. E a diferença entre a receita e o volume de vendas demonstra um aumento de custos. Mas, além disso, é comum que o consumidor, quando tem uma queda de renda ou do seu poder de compra, passe a comprar menos produtos que não são essenciais e a optar por marcas mais baratas”, diz Santos.

Já as atividades de Outros artigos de uso pessoal e doméstico, em que lojas de departamento são destaque, e de Artigos farmacêuticos, medicinais, ortopédicos e de perfumaria foram as únicas que apresentaram crescimento tanto em relação ao mês anterior (outubro) quanto em relação a novembro de 2019.

“As lojas de departamento foram alguns dos comércios mais impactados pelas medidas de fechamento adotadas no início da pandemia, já que têm mais facilidade de apelo ao consumo por meio das prateleiras das vastas lojas físicas. Assim, com a reabertura do comércio, essa atividade vem apresentando forte crescimento, registrando em novembro alta de 1,4% frente a outubro e 16,2% frente ao mesmo período de 2019”, afirma Santos.

O gerente da pesquisa destaca as vendas de materiais de construção, que tiveram alta de 10,1% em 2020, entre os meses de janeiro e novembro. “A atividade de materiais de construção se recuperou rápido após o fechamento do comércio por conta da pandemia, a partir de junho já estava reaquecido", diz. 

Impacto negativo

Por outro lado, a venda de veículos foi um dos fatores que também influenciaram negativamente o índice. O setor acumula queda de 15,1% de janeiro a novembro de 2020.

"A atividade automotiva está tendo uma retomada mais tardia. Muitos consumidores adiaram a compra de veículos, já que não estavam saindo de casa. Temos também na atividade uma sazonalidade, por conta dos motoristas profissionais, que costumam trocar de carro no final de ano", explica o gerente da pesquisa.

"E vem aquecendo esse mercado também o aumento das frotas de empresas de aluguel de veículos, que tiveram aumento de demanda. Assim, a atividade de Veículos, motos, partes e peças teve um crescimento de 3,5% em novembro, mas ainda está 1,9% abaixo do patamar de fevereiro”, conclui Santos.

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