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Com efeito bilionário sobre exportações brasileiras, tarifaço dos EUA entra em vigor na quarta

Governo federal ainda aguarda, porém, definição sobre mais uma taxa, de 12,5%, após investigação acerca do uso de trabalho forçado

Economia|Do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Os Estados Unidos impuseram uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, afetando US$ 7,2 bilhões em exportações.
  • A Apex anunciou um plano de R$ 130 milhões para diversificar o mercado e reduzir o impacto das tarifas.
  • Produtos como mel, granito e madeira para construção são os mais afetados pela nova tarifa.
  • O governo brasileiro critica as tarifas como "unilaterais" e busca soluções através da OMC e novas parcerias comerciais.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Principal estratégia brasileira diante da medida envolverá diversificação de mercados internacionais Porto de Santos/Reprodução – Arquivo

Começa a valer nesta semana, a partir de quarta-feira (22), a nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos importados do Brasil. A decisão foi confirmada pela gestão de Donald Trump na semana passada. Agora, o governo federal ainda aguarda pela definição sobre mais uma taxa, de 12,5%.

Dados divulgados na sexta-feira (17) pela Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) detalham que, da média anual de US$ 38 bilhões em produtos enviados aos Estados Unidos pelo Brasil — com base em dados de 2025 —, a sobretaxa de 25% afetará cerca de US$ 7,2 bilhões (18,9%) em itens.


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O principal impacto será sentido pelos estados de São Paulo (68% das exportações) e Santa Catarina (52%). Como tentativa de amenizar os efeitos sobre a competitividade internacional brasileira, a Apex anunciou que lançará, no início de agosto, um plano de R$ 130 milhões para diversificação de mercado.

O objetivo da ação é ampliar os envios a outras nações parceiras do Brasil no comércio, como países da Ásia, da Europa e o Canadá. “Esse caminho não é novo e estava em andamento. Desde junho do ano passado, muitas empresas começaram a adotá-lo. Quem só exportava para os Estados Unidos, por exemplo, aumentou [os envios] para outro mercado”, afirma o presidente da agência, Laudemir Müller.


Entre os produtos com mais demanda do mercado estadunidense estão o mel — com 85% do usado nos EUA originado no Brasil; granito (36%); e madeira para construção (30%). Assim, empresas norte-americanas também devem ver prejuízos nos negócios a partir da medida adotada pelo governo do presidente Donald Trump. “Quando uma empresa brasileira é substituída por uma de outro país, é um grande dano”, completou Müller.

Mesmo com esse cenário, o país ainda está sob risco de mais uma taxação: a de 12,7% sobre itens com produção supostamente associada ao uso de trabalho forçado. Entre os 699 produtos que escaparam da cobrança de 25%, US$ 3,6 bilhões dessas exportações ainda podem ser afetados pela tarifa menor.


Em números:

  • 106 itens ainda podem ser taxados em 12,5%.
  • 593 itens acabaram livres de ambas as tarifas.

Inicialmente, 615 produtos ficariam isentos das cobranças. No entanto, esse total subiu para 699. A mudança, mais favorável para o comércio internacional entre os dois países, decorreu da insistência nas negociações por parte de representantes do Brasil, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores.


O governo brasileiro efetuou, segundo o Palácio Itamaraty, mais de 30 contatos presenciais, virtuais ou por telefone, em níveis técnico, ministerial e presidencial, desde o anúncio do primeiro tarifaço, em 2025.

Só com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e com Jamieson Greer, representante de Comércio do país norte-americano, ocorreram 11 contatos por iniciativa do Brasil — inclusive nos casos que envolveram as reuniões entre Lula e Trump.

Fontes do Itamaraty ouvidas pelo R7 contestaram as acusações e lembraram que o tarifaço começou com uma taxa de 10%, além de considerarem que ela subiu para 50% posteriormente por “expressa motivação política”. E, para evitar que a medida acabasse derrubada pela Justiça — como, de fato, ocorreu —, os Estados Unidos recorreram à Seção 301 da Lei de Comércio do próprio país.

Posicionamento do governo federal

Na última quarta-feira (15), data de confirmação da medida, o governo federal emitiu uma nota para se posicionar contra a “imposição de tarifas unilaterais ao Brasil pelos Estados Unidos”. Em um documento de duas páginas, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República repudiou a taxa de 25% aplicada e argumentou que não há justificativa para a medida.

Em tom crítico, o texto classificou o momento como um “marco lastimável” para a história das relações entre os dois países. Além disso, ressalta que o Brasil “não reconhece a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio” — em referência às apurações dos EUA com base na Seção 301 da lei que regula o setor estadunidense.

Confira os pontos elencados para criticar a determinação:

  • US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços acumulados pelos Estados Unidos nos últimos 15 anos com o Brasil, segundo estatísticas do governo norte-americano;
  • Em 2025, 76% das importações originárias dos EUA entraram no país sem pagar imposto, e a alíquota média aplicada sobre produtos norte-americanos foi de 3,1%;
  • A atuação do governo brasileiro junto ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), no último ano, pelo encerramento das investigações e com evidências que refutavam as acusações sobre as supostas práticas desleais adotadas pelo Brasil;
  • Nas audiências públicas promovidas pelo USTR na semana passada, 63 das 78 intervenções feitas por representantes dos setores privados brasileiro e norte-americano foram contrárias ao tarifaço.

O Executivo federal enfatizou que o país continuará a adotar medidas para reduzir os danos causados à economia e à renda dos brasileiros, além de diversificar parcerias comerciais e abrir novos mercados para os produtos nacionais, como ocorreu no caso dos acordos do Mercosul com a União Europeia, a Associação Europeia de Livre Comércio e Singapura.

Além disso, a expectativa é de que o Brasil acione os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade e retome o tema por meio do mecanismo de solução de controvérsias da OMC (Organização Mundial do Comércio).

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