Desenrola MEI pode beneficiar 3,5 milhões de empreendedores, mas exige planejamento
Especialistas dizem que o sucesso da renegociação depende de controle do fluxo de caixa e planejamento financeiro
Economia|Mariana Saraiva, do R7, em Brasília
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O Desenrola MEI, novo programa de renegociação de dívidas de microempreendedores individuais, pode ajudar a situação fiscal e o acesso ao crédito, mas, por si só, não resolve os problemas financeiros do negócio, segundo especialistas ouvidos pelo R7.
Para o advogado e professor da FGV (Fundação Getulio Vargas), Fernando Moreira, o programa pode ser um instrumento importante para reorganizar a vida financeira do microempreendedor, “desde que seja utilizado como parte de um processo de reestruturação do negócio, e não apenas como um alívio momentâneo do caixa”.
O especialista explica que a renegociação reduz juros, amplia prazos e permite regularizar pendências, mas destaca que, se o empreendedor continuar gastando mais do que fatura ou mantiver problemas de gestão, “o programa apenas posterga a inadimplência”.
Na avaliação do mestre em Finanças e professor do Ibmec Brasília, Renan Silva, além da renegociação, é essencial entender a origem do endividamento para evitar que o problema se repita. Segundo ele, o empreendedor deve identificar se a dívida surgiu por uma emergência, por investimentos que não deram retorno ou pela incapacidade das vendas de gerar caixa suficiente para cobrir os custos da empresa. “Desta forma, ele aprende com a experiência para transformar uma situação futura semelhante em uma potencial oportunidade com uma nova postura de mercado”, afirma.
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Antes de aderir, é preciso avaliar
Os especialistas também recomendam cautela antes da assinatura do acordo. Para Fernando Moreira, o primeiro passo é verificar se as parcelas cabem no orçamento, mesmo nos períodos de menor faturamento. Ele orienta que o empreendedor avalie não apenas o desconto oferecido, mas também os juros, o prazo e o custo total da renegociação.
“Não adianta conseguir um bom desconto e, poucos meses depois, perder o acordo por falta de capacidade de pagamento”, ressalta.
Renan Silva acrescenta que o empresário precisa ter controle rigoroso do fluxo de caixa antes de assumir qualquer compromisso financeiro. Segundo ele, muitos empreendedores acreditam conhecer a situação da empresa apenas pela intuição.
“É imprescindível que o empresário procure ajuda para melhorar o controle do fluxo de caixa, obter indicadores de desempenho financeiro e realizar projeções para visualizar os impactos da renegociação no futuro”, explica.
Regularização amplia acesso ao crédito
Outro benefício apontado pelos especialistas é a melhora da situação fiscal do MEI, que pode facilitar o acesso ao crédito e a participação em oportunidades de negócios.
Fernando Moreira afirma que a regularização melhora a avaliação do empreendedor perante instituições financeiras, aumenta as chances de conseguir financiamentos em melhores condições e facilita a emissão de certidões exigidas para contratos e licitações.
Renan Silva destaca que novas linhas de crédito podem ajudar na expansão da empresa, mas faz uma ressalva: “O capital deve ser usado para expansão da empresa e não para cobrir gastos operacionais do dia a dia”, afirma. Ele também recomenda priorizar linhas subsidiadas, como as oferecidas pelo BNDES e pelos fundos constitucionais de financiamento.
Erros pós-renegociação
Depois de renegociar as dívidas, o maior desafio passa a ser manter a disciplina financeira.
Segundo Fernando Moreira, muitos empreendedores voltam a cometer erros, como misturar finanças pessoais e empresariais, deixar de controlar o fluxo de caixa e assumir novas dívidas antes de estabilizar o negócio.
“A renegociação deve ser encarada como uma oportunidade para reorganizar a gestão financeira. Quem cria disciplina e acompanha receitas e despesas reduz significativamente o risco de voltar à inadimplência”, afirma.
Na mesma linha, Renan Silva avalia que o principal erro é não conhecer profundamente a operação da empresa. Para ele, é fundamental acompanhar a rentabilidade do negócio, entender o comportamento do fluxo de caixa, conhecer as necessidades dos clientes e manter uma reserva financeira para enfrentar períodos de dificuldade.
Desenrola MEI
O programa, lançado no início de julho pelo governo federal, promete descontos de até 70% para débitos inscritos na Dívida Ativa da União e pode beneficiar cerca de 3,5 milhões de empreendedores.
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