Após um ano de lei, 92% das escolas vetam celular e veem melhora na concentração
Dados do Ministério da Educação também mostram redução de cyberbullying após a implementação da medida
Educação|Luiza Marinho*, do R7, em Brasília
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Um ano após a vigência da lei que restringe celulares nas escolas, 92% das instituições públicas e privadas do país já adotaram a regra. Os dados são de uma pesquisa do MEC (Ministério da Educação) divulgada nesta terça-feira (30).
A pesquisa, feita em parceria com o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), Instituto Alana e UNESCO, mostra também que 45% dos gestores consideram que a implementação da norma já está consolidada em suas instituições, enquanto outros 47% afirmam que o processo ainda está em andamento, embora enfrente desafios.
A pesquisa ouviu gestores de 8.189 escolas públicas e privadas de todos os estados do Brasil.
Antes da lei, 13% das escolas permitiam o uso do celular em qualquer espaço e horário. Atualmente, esse percentual caiu para zero. Já as instituições que adotam restrição em todos os ambientes escolares passaram de 20% para 48%.
Os efeitos da medida também aparecem no ambiente pedagógico. De acordo com o estudo, 97% dos gestores afirmam que houve aumento da participação dos estudantes nas atividades escolares e 95% relatam melhora na concentração durante as aulas.
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Interações
Além dos impactos no aprendizado, os gestores apontam mudanças no comportamento e na convivência entre os estudantes. A pesquisa mostra que 95% dos entrevistados perceberam aumento da socialização presencial entre os alunos, enquanto 88% associam a política à redução de conflitos, agressões digitais e casos de cyberbullying.
Outro dado que chamou a atenção foi a percepção de melhora no bem-estar dos estudantes: 86% dos gestores acreditam que a restrição ao uso dos aparelhos contribuiu para diminuir a ansiedade no ambiente escolar.
Também houve crescimento de atividades sem o uso de telas. Cerca de 67% das escolas relataram aumento de práticas manuais, lúdicas e artísticas, e 56% observaram maior utilização de espaços como pátios e quadras para atividades pedagógicas.
Para a secretária de Educação Básica do MEC, Katia Schweickardt, um dos principais ganhos da política foi justamente a retomada das interações dentro das escolas.
“A principal conquista é melhorar a socialização. Havia relatos de professores se sentirem ansiosos quando tinham que usar menos. O que a gente consegue a partir do cenário escolar é também como a sociedade está se vendo. A gente pode também mudar a sociedade”, afirmou.
Tecnologia
Apesar da restrição ao uso recreativo dos celulares, a pesquisa indica que a presença da tecnologia na educação não diminuiu. 86% dos gestores afirmam que as atividades pedagógicas com recursos digitais foram mantidas ou ampliadas após a entrada em vigor da lei.
Além disso, 71% discordam da ideia de que a restrição prejudica o desenvolvimento das habilidades digitais dos estudantes.
Nas escolas públicas, 51% informaram ter ampliado ações de educação digital e midiática em 2025, enquanto outras 36% pretendem iniciar iniciativas desse tipo em 2026.
Para Katia, o desafio é justamente equilibrar o uso pedagógico da tecnologia com a redução do uso excessivo e não orientado dos dispositivos.
“Os estudantes já nascem em um mundo digital. Não se trata de demonizar a tecnologia, mas de utilizá-la de forma intencional e educativa”, afirmou.
*Estagiária do R7, sob supervisão de Augusto Fernandes, editor-chefe.
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