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Educação

Enem deveria ter diferentes modelos de prova,  defende especialista

Destaca-se a necessidade de se considerar o interesse dos estudantes sobre os conteúdos  

Educação|Da Agência Brasil

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Uma reformulação do ensino médio exigirá também mudanças nas avaliações sobre essa etapa escolar, disse ontem (12) a coordenadora-geral do movimento Todos pela Educação, Alejandra Meraz Velasco.

Em audiência pública na Câmara dos Deputados, ela defendeu a criação de provas diferentes do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) a serem aplicadas de acordo com o interesse e a formação dos estudantes.


— Sem uma mudança na avaliação, vamos continuar tendo essa estrutura de ensino médio. Infelizmente, o ensino reage a como são feitas as avaliações. Muito mais no Brasil, em que o Enem é vinculado a outros programas e acaba pautando muito o que é oferecido em sala de aula, disse Alejandra em audiência da comissão especial que discute a jornada integral no ensino médio, prevista no Projeto de Lei 6.840/13.

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Para a coordenadora-geral, o ensino médio deve oferecer uma formação mais voltada às áreas de interesse dos estudantes. Dessa forma, diferentes provas do Enem poderiam ser aplicadas a candidatos que quisessem seguir formações das áreas de humanas ou exatas ou ainda que quisessem ingressar no ensino superior ou no ensino técnico.


— O Enem cobra todas as áreas de conhecimento e no final das contas acaba refletindo nesse ensino médio enciclopédico que hoje existe em que se ensinam todas as disciplinas e que são avaliadas todas as disciplinas.

Na avaliação de Alejandra , a etapa de ensino passa por uma crise, que pode ser verificada pelo Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), que estabelece metas de qualidade para o ensino básico. No índice de 2013, divulgado este ano, no ensino médio, a meta estabelecida era 3,9 e o Ideb atingido foi 3,7.


Maior participação

Também presente na audiência, o diretor da Secretaria de Controle Externo da Educação do TCU (Tribunal de Contas da União), Alípio Dias dos Santos Neto, defendeu uma maior participação de estados e municípios, com sistemas próprios de avaliações e acompanhamento do ensino médio.

Em auditoria recente, o tribunal verificou, em 64,3% dos casos, alta ocorrência da falta de exames para avaliação do desempenho educacional de alunos e escolas feitos pelas secretarias de Educação.

Ele concordou com Alejandra no que diz respeito à influência do Enem nos modelos de ensino.

— O Enem foi criado para avaliar o ensino médio, nas escolas públicas e privadas. As escolas começaram a se adaptar ao que está posto ali, principalmente quando o Enem passou a ser usado para uma série de finalidades, destacou o diretor.

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Exame e projeto

O Enem foi aplicado nesse final de semana, em 1,7 mil municípios. Mais de 8,7 milhões se inscreveram e pouco mais de 6,2 milhões fizeram as provas.

A nota do exame pode ser usada para participar de programas como o Sisu (Sistema de Seleção Unificada), que disponibiliza vagas no ensino superior público; o ProUni (Programa Universidade para Todos), que oferece bolsas em instituições privadas; e o Sisutec (Sistema de Seleção Unificada do Ensino Técnico e Profissional), que destina a estudantes vagas gratuitas em cursos técnicos.

O exame é também pré-requisito para firmar contratos pelo Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) e para obter bolsas de intercâmbio pelo Programa Ciência sem Fronteiras, além da certificação do ensino médio.

O projeto de lei discutido na audiência institui a jornada em tempo integral no ensino médio. Também dispõe sobre a organização dos currículos do ensino médio em áreas do conhecimento. A proposta tramita em regime de urgência e está sujeita à apreciação do plenário da Casa.

Na audiência, Alejandra alertou para a discussão, em curso, de uma base nacional curricular comum, para que ambos processos, no Executivo e Legislativo, não sejam feitos separadamente. Ela destacou ainda que o ensino médio está diretamente relacionado às etapas anteriores, que também precisam de modificações.

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