IA avança nas universidades e docentes debatem uso no ensino, na pesquisa e na gestão
Tecnologia atinge 56% dos professores no país; na UFMG, pesquisa indica adesão de 75% entre alunos e docentes
Educação|Luiza Marinho*, do R7, em Brasília
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Uma pesquisa da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), divulgada neste mês, mostra que a IA (Inteligência Artificial) já faz parte da rotina de 75% da comunidade universitária. O cenário acompanha um movimento que também chega à USP (Universidade de São Paulo) e a outras instituições de ensino superior, que discutem novas formas de usar a tecnologia na pesquisa e no ensino.
O levantamento da UFMG foi realizado pela Comissão Permanente de Inteligência Artificial da universidade e contou com 2.441 respostas válidas. Ao todo, 75,05% dos participantes (1.832 pessoas) afirmaram utilizar IA em atividades relacionadas à instituição.
Otimização
Entre os estudantes que utilizam IA, os principais usos são a obtenção de dados e informações (60,1%), correção e revisão de textos (59%) e pesquisa de fontes e links (54,9%). A produção de sínteses de textos e documentos aparece em 51,3% dos casos.
Entre os professores, a tradução é a atividade mais frequente, utilizada por 61,2% dos docentes que recorrem à IA. Também aparecem pesquisa de fontes e links (50,5%), correção e revisão de textos (47,1%) e obtenção de dados e informações (45,4%).
A otimização do tempo é a principal motivação para utilizar as ferramentas. O fator foi apontado por 90,8% dos estudantes, 93,2% dos professores e 95,8% dos técnicos que utilizam IA.
USP
Na USP, o professor Henrique Fontes, do ICMC (Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação), afirma que a incorporação da IA segue um processo semelhante ao de outras tecnologias que chegaram às universidades.
“A universidade sempre vai se adaptando às novas tecnologias, cada uma no seu tempo. Isso já aconteceu antes com computadores, internet, livros online, ambientes virtuais, aulas online e várias outras ferramentas. No começo, normalmente existe alguma resistência, mas depois essas tecnologias acabam sendo incorporadas ao ensino”, analisa.
Para o professor, o principal risco está no uso da IA como substituta do raciocínio do aluno.
“O problema não é o aluno usar IA, mas sim quando ele simplesmente terceiriza o pensamento. Por exemplo, pedir para a IA fazer um trabalho inteiro, resolver uma lista de exercícios ou escrever uma análise e entregar aquilo sem entender o que foi feito. Nesse caso, ele deixa de exercitar justamente aquilo que deveria estar aprendendo.”
Segundo ele, esse movimento tecnológico obriga a universidade a repensar as avaliações antes usadas.
“Na USP, muitas ações estão sendo realizadas neste sentido. Vai ser cada vez mais importante incluir nos nossos processos de avaliação estratégias para entender como o aluno chegou àquela resposta, por que tomou determinadas decisões, se consegue explicar o que fez e se consegue defender a própria solução”, finaliza.
De acordo com a universidade, pesquisadores já promovem cursos e treinamentos sobre aplicações da tecnologia em atividades como revisão de literatura, organização de informações, análise de textos e escrita científica. No ICMC-USP, ferramentas também são testadas para apoiar tarefas administrativas repetitivas.
Outras instituições
A UnB (Universidade de Brasília) também trabalha na definição de regras para o uso da tecnologia. E, de acordo com a apuração do R7, atualmente, a instituição está desenvolvendo um protocolo para uso de IA na universidade.
Além disso, outras instituições avançam na formação relacionada à área. Em maio deste ano, a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) aprovou a criação de novos cursos de graduação, entre eles o de Inteligência Artificial e Ciência de Dados, com vagas previstas para o vestibular de 2027.
O CNE (Conselho Nacional de Educação) também prevê a publicação de regras sobre o uso de IA até o fim deste ano.
*Estagiária do R7, sob supervisão de Augusto Fernandes, editor-chefe.
Fique por dentro das principais de educação no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp










