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Eleições 2014

Contadora liga ex-diretor da Petrobras, deputados e ex-ministro a esquema de lavagem de dinheiro

Na CPI, Meire Poza cita Paulo Roberto Costa, André Vargas, Luiz Argôlo e Mário Negromonte

Eleições 2014|Do R7, com Agência Senado

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Meire ganhava R$ 15 mil mensais para atender todas as empresas de Youssef, a quem ela conheceu a partir de Enivaldo Quadrado, condenado no processo do mensalão e que cumpre pena alternativa
Meire ganhava R$ 15 mil mensais para atender todas as empresas de Youssef, a quem ela conheceu a partir de Enivaldo Quadrado, condenado no processo do mensalão e que cumpre pena alternativa

Em depoimento à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista da Petrobras, que investiga denúncias de irregularidades na estatal, a contadora Meire Poza confirmou nesta quarta-feira (8) a ligação do ex-diretor da empresa Paulo Roberto Costa, deputados federais e até um ex-ministro ao esquema de lavagem de dinheiro comandada pelo doleiro Alberto Yousseff.

Além do ex-diretor, Meire citou os nomes dos deputados André Vargas (sem partido-PR) e Luiz Argôlo (SD-BA) e do ex-ministro das Cidades Mario Negromonte como supostos beneficiados no esquema.


Meire confirmou que o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa fazia reuniões com o doleiro Alberto Youssef na sede da GFD Investimentos. A firma é uma empresa de fachada por meio da qual, segundo a Polícia Federal, Youssef direcionava o pagamento de propinas a políticos e fazia remessas de valores para o exterior.

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Em resposta a pergunta do relator da CPI mista, deputado Marco Maia (PT-RS), Meire Poza disse não ter informações sobre transferências de dinheiro da empresa para funcionários da Petrobras.

— Não tenho conhecimento. O que tenho conhecimento é que Alberto Youssef deu um carro para Paulo Roberto Costa. Segundo Seu Alberto, era um presente.


Meire Poza disse também que o deputado Luiz Argôlo (SD-BA) recebeu um helicóptero avaliado em cerca de R$ 800 mil do doleiro, mas o veículo não foi transferido para o parlamentar.

— Foi registrado no balanço da GFD, mas não foi transferido.


Vargas e Negromonte

Além do deputado federal Luiz Argôlo (SD-BA), a contadora citou os nomes de André Vargas (Sem partido-PR), e o ex-ministro das Cidades, Mario Negromonte (PP), como políticos que teriam se beneficiado do esquema de lavagem de dinheiro do doleiro Alberto Youssef. A contadora afirmou que fez pagamentos para familiares de parlamentares.

— Fiz pagamento para o deputado André Vargas, que depois eu soube que era do jatinho [emprestado pelo Youssef para uma viagem ao Nordeste], para familiares do Luiz Argôlo e outros pagamentos que eu não sei quem são as pessoas.

A lista com os nomes de pessoas a quem Meire Poza transferiu dinheiro a pedido de Youssef foi apreendida pela Polícia Federal durante a operação Lava Jato. André Vargas, que se desfiliou do PT do Paraná, e Luiz Argôlo, que tentou a reeleição na última eleição, respondem a processos no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados.

Notas frias

Em seu depoimento, a contadora Meire Poza afirmou também que a GFD, empresa controlada por Alberto Youssef, emitia notas para empresas sem que serviços fossem prestados. Ela negou que as empresas de Youssef para as quais prestava serviços tinham contratos diretos com instituições públicas, como a Petrobras.

— Elas tinham relação com empreiteiras e não com empresas públicas. Mendes Júnior, Sanko Sider, Engevix, Paranasa, principalmente essas.

Segundo ela os recursos que chegavam até GFD eram aplicados em outros investimentos feitos pela empresa como a operadora de turismo Marsans.

O salário de Meire seria R$ 15 mil mensais para atender todas as empresas de Youssef. Ela conheceu Youssef a partir de Enivaldo Quadrado, condenado no processo do mensalão e que cumpre pena alternativa.

O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) pediu a quebra de sigilo bancário e fiscal da empresa de Meire e disse que ela não deveria ser ouvida na condição de testemunha, mas de investigada.

Repasses para o exterior

Meire Poza explicou que não tinha acesso a movimentações da GFD para o exterior. Ela afirmou que as remessas de dinheiro para fora do País eram feitas diretamente por Alberto Yousseff e outras pessoas ligadas a ele.

— Nunca houve esse tipo de movimentação dentro da empresa. Até onde eu tenho conhecimento, quem fazia essa movimentação eram feitas diretamente por ele e por pessoas ligadas a ele. Rafael Lopes e Adarico.

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