Dilma e Lula agem para acalmar Kassab
Estratégia planeja conter danos políticos da investigação que atingiu o ex-prefeito de São Paulo
Eleições 2014|Do R7

Em uma operação planejada para conter os danos políticos da investigação que atingiu Gilberto Kassab, o Palácio do Planalto e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviaram nesta segunda-feira (11) emissários para acalmar o ex-prefeito de São Paulo.
Depois da troca de acusações entre Kassab e o prefeito Fernando Haddad, a ordem no governo e na cúpula petista é agir para "administrar" a crise e manter o silêncio sobre as acusações que envolvem o potencial aliado do PSD no escândalo da máfia dos fiscais.
A presidente Dilma Rousseff, em Lima, no Peru, se esquivou quando foi questionada sobre o impacto eleitoral da briga entre Haddad e Kassab.
— Não, não, isso não [...] Estou aqui fazendo uma visita de Estado e vocês ficam perguntando de eleição?
Lula defende Haddad e diz que SP "merece um governo do PT"
Em conversa reservada com Haddad na Base Aérea de São Paulo na última quinta-feira (7), porém, Dilma disse a ele que não abrisse mão de combater a corrupção na Prefeitura.
— Faça o que tem de ser feito.
A orientação contrasta com a avaliação de ministros do PT e dirigentes do partido de que o prefeito agiu de forma "afoita" ao abrir guerra contra Kassab e aumentar o IPTU.
Desvendado por investigações da Controladoria-Geral do Município 1 criada por Haddad — o esquema de corrupção na Prefeitura desviou pelo menos R$ 500 milhões em impostos na gestão de Kassab. Segundo o ex-prefeito, há um episódio de corrupção edêmica no poder público.
— Há um episódio de corrupção endêmica no poder público [...] Foi identificada até uma quadrilha que falsificou R$ 1 bilhão em recolhimentos do Ministério da Fazenda. Ninguém está acusando a presidente.
Já Haddad se irritou com as críticas de petistas, preocupados com o impacto na campanha à reeleição de Dilma e na candidatura do ministro Alexandre Padilha (Saúde) ao governo paulista. O petista e seu antecessor trocaram acusações em entrevistas ao jornal Folha de S.Paulo.
nesta segunda-feira (11) operadores políticos dos partidos entraram em campo. O deputado federal Guilherme Campos (PSD) afirmou que este episódio não pode prejudicar a estratégia.
— Não podemos deixar que um espirro na capital cause uma pneumonia na nossa estratégia estadual e nacional.
Mas a crise não se resume às declarações públicas. Vereadores do PSD dizem ter sofrido retaliações e perdido cargos em subprefeituras por terem votado contra o aumento do IPTU. O prefeito alega que substituições são feitas por critério de mérito.




