Luciana Genro diz que não abre mão de pré-candidatura à Presidência pelo PSOL
Ex-deputada se apresenta como opção à “politica tradicional” do senador Randolfe Rodrigues
Eleições 2014|Rodolfo Borges, do R7

A ex-deputada federal Luciana Genro lançou sua pré-candidatura à Presidência da República no fim de outubro para defender os princípios do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade). Em entrevista ao R7, a socialista disse que “a disputa que a gente está fazendo com o Randolfe (Rodrigues, senador socialista pelo Amapá) não é de nome, é de projeto politico e de visão do partido”.
Pela expressão que Randolfe ganhou nos últimos anos, principalmente durante a CPI que investigou o bicheiro Carlinhos Cachoeira, seu nome se apresentou como o mais natural para uma chapa do PSOL ao Palácio do Planalto — ele deve lançar sua pré-candidatura até o fim do mês. Mas o contraponto apresentado pela filha do governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, expôs que o partido não está fechado para 2014.
Nesta semana, surgiram boatos de que Randolfe teria proposto a Luciana que ambos abrissem mão de suas candidaturas em nome do deputado federal Chico Alencar (RJ), mas a ex-deputada nega essa hipótese e diz que, dependendo da forma como o partido escolher seu candidato em dezembro, ela pode manter sua pré-candidatura até a convenção do partido, em junho de 2014.
— Minha intenção com a pré-candidatura é fazer essa discussão. Ao longo dos últimos meses, o Chico tem se posicionado dentro do escopo do Randolfe. Não posso abrir mão de uma visão partidária para apoiar o nome que representa uma politica que está afinada com esse outro campo. O nome do Chico não é neutro.
Segundo Luciana, o único nome que a faria retirar a pré-candidatura é o do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ). Mas Freixo, que já manifestou seu apoio à candidatura da ex-deputada, alega questões de segurança para não participar da corrida presidencial — ele liderou a investigação sobre milícias no Rio de Janeiro.
Alianças
Ao se apresentar como opção ao grupo majoritário, liderado pelo presidente nacional e líder do partido na Câmara, deputado Ivan Valente (SP), Luciana Genro alega ser contra a “política de alianças”. A ex-deputada tem lembrado que Randolfe fez aliança com o PTB e negociou apoio do DEM para eleger o prefeito de Macapá, Clécio Luis (PSOL), o que seria proibido pelo estatuto do partido.
— A gente não tem acordo com amplitude. Essa amplitude enfraquece o PSOL, justamente porque entra na mesma lógica da politica que foi rejeitada pelas milhões de pessoas que foram às ruas [nas manifestações de junho]. O PSOL tem de ser fiel a junho, à ideia de negação da política tradicional, das alianças para ganhar mais tempo de televisão.
Na avaliação da pré-candidata à Presidência, ainda que sem alianças fortes, a candidatura do PSOL será mais forte se estiver conectada com "o sentimento das pessoas que foram às ruas em junho".
— A gente quer debater o futuro do PSOL. Esses acontecimentos [de junho] têm uma transcendência muito grande. O PSOL tem de ser a negação da lógica tradicional de fazer politica. Junho deu esse recado para nós e acho que meu nome é o que melhor traduz isso.




