PMDB deve renovar acordo com Dilma por reeleição, mas quer repactuar aliança
Partido quer maior poder de decisão na campanha e mais cargos na administração pública
Eleições 2014|Do R7
Há algumas semanas, crescia no PMDB o movimento "não vai ter aliança", numa analogia ao bordão das manifestações populares contra a Copa do Mundo, mas ele foi contido e o partido deve reafirmar na próxima terça-feira (10), durante sua convenção nacional, o pacto com o PT para a reeleição da presidente Dilma Rousseff. Mas a legenda quer repactuar essa aliança após a eleição.
Para conseguir conter o movimento rebelde, com raízes muito fortes na bancada na Câmara, foi necessário um grande esforço do vice-presidente da República Michel Temer, presidente licenciado da legenda, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de Dilma e dos caciques do PMDB no Senado. Esse esforço político, porém, foi para salvar a aliança eleitoral.
Para que ela prospere nos próximos meses e se consolide após a possível reeleição de Dilma, porém, o PMDB recebeu a promessa de que o acordo com o PT será repactuado, permitindo que o maior partido da aliança da presidente tenha mais espaço num vindouro ministério e uma maior participação nas políticas públicas.
Confiante, o presidente do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), disse que cerca de 80% dos 738 votos da convenção devem apoiar a renovação da aliança. Já nas contas dos rebeldes essa vantagem, se ocorrer, será muito menor.
Raupp admite que as negociações estaduais causaram problemas para a aliança nacional em Pernambuco, no Rio de Janeiro, no Mato Grosso do Sul, na Bahia e no Rio Grande do Sul.
Essas tensões locais e o difícil relacionamento de Dilma com o Congresso desde que assumiu em 2011 são os motores da divisão no seio peemedebista, como ficou evidenciado numa reunião do diretório nacional da legenda no mês passado.
Raupp disse que o PMDB quer participar mais do governo num eventual segunda mandato de Dilma.
— Não é uma questão de cargos. Eu defendia e continuo defendendo inclusive uma redução no número de ministérios.
Segundo ele, o que PMDB quer é integrar para valer a condução e a contrução das políticas públicas. Um outro peemedebista disse, sob condição de anonimato, que esse aceno já foi feito por Dilma e Lula em reuniões recentes com peemedebistas.
— É uma repactuação da relação [entre o partido e o governo], do diálogo com o Congresso, da participação da formulação do novo governo, das implementação das políticas públicas.
Para esse peemedebista, mais do que a participação de Lula e Dilma na reta final, a manutenção da aliança foi garantida pelo esforço de Temer e dos caciques partidários do Senado.
Na covenção, serão 510 delegados com direito a voto, sendo que alguns deles tendo mais de um voto, dependendo do cargo que ocupam na estrutura partidária. Por isso, o total de votos da convenção é de 738.
Rebeldes ainda estão em campo
A despeito da cúpula peemedebista divulgar que a aliança será renovada, nos bastidores o "Movimento PMDB Independente" continua se esforçando para aprontar uma surpresa e rejeitar a dobradinha com PT na terça.
Na semana passada, os peemedebistas receberam um manifesto do movimento que continha duras críticas ao governo e pregava o fim da aliança. Nem mesmo a área de energia foi poupada, apesar do peemedebista Edison Lobão comandar o Ministério de Minas e Energia desde o segundo mandato de Lula.
Um dos líderes desse movimento, o deputado Danilo Forte (CE), desdenhou desse comprometimento de Dilma com a cúpula do PMDB por uma aliança com maior participação dos peemedebistas.
— O problema não é a questão pessoal, nem com a Dilma e nem com o Michel. O problema é o país, o problema é a economia, a inflação, o desemprego, o retrocesso que o país está vivendo em relação à primeira década dos anos 2.000.
Segundo ele, o PMDB não pode ser responsabilizado por esse quadro porque sempre foi tratado com desdém no governo e não participou das decisões tomadas pela presidente.
— O governo nunca nos deu espaço para discutir política pública. Não adianta vir agora com essa história de que está arrependido pelo que não fez e dizer que vai ter diálogo.




