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Eleições 2014

Sem ataques pessoais, Dilma e Aécio discutem sobre Pronatec e cursos técnicos durante debate

No segundo bloco do debate da TV Record, presidenciáveis amenizaram o tom das acusações

Eleições 2014|Do R7

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Dilma e Aécio participam do debate da TV Record, a uma semana do segundo turno
Dilma e Aécio participam do debate da TV Record, a uma semana do segundo turno

A presidente Dilma Rousseff (PT) e o senador Aécio Neves (PSDB) amenizaram o tom dos ataques no segundo bloco do debate presidencial deste domingo (19), transmitido pela TV Record e pela R7 TV. Os candidatos discutiram sobre o Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego), do governo federal, e os PEPs (Programa de Educação Profissional), do governo de Minas Gerais. Eles ainda falaram sobre o valor de mercado da Petrobras, o papel dos bancos públicos e a segurança das fronteiras.

Petrobras


Assim como no primeiro bloco, em que prevaleceu o tom de acusação sobre casos de corrupção, no início do segundo bloco, Dilma e Aécio trocaram acusações sobre a Petrobras.

Aécio lembrou-se da recente queda de valor de mercado da estatal e perguntou à presidente o que ela pensava sobre a campanha do governo federal que estimulou trabalhadores a investir o FGTS em ações da estatal.


"Esse é o lado perverso, candidata, do aparelhamento da máquina pública, da má gestão e dos desvios. A senhora não concorda comigo?", perguntou o tucano.

Dilma afirmou que as acusações eram "estarrecedoras", porque, durante o governo PSDB, “vocês venderam 30% da Petrobras no mercado, em ações, a preço de banana. (...) Hoje a Petrobras passou do patamar de R$ 100 bilhões. Você não tem a menor moral de falar em valor da Petrobras”.


Dilma lembrou ainda que o governo FHC flertou com a ideia de mudar o nome da Petrobras para “Petrobrax” e disse ainda que “o senhor pode ficar descansado, candidato, porque o valor da Petrobras é crescente”, já que a extração do óleo cresce a cada dia.

— Algo muito importante está acontecendo no Brasil. Vocês diziam que nós não teríamos capacidade de explorar o pré-sal e que ele era uma ficção. Hoje o pré-sal está gerando 500 mil barris/dia. [Isso] é algo que o Brasil levou 30 anos para extrair, e agora, em menos de oito anos, conseguimos extrair no fundo do mar. Essa é a Petrobras de hoje.


Aécio rebateu dizendo que a Petrobras "vai muito mal", diferente da fala da presidente, e que a companhia “perdeu metade do seu valor de mercado e que saiu das páginas econômicas para frequentar as páginas policiais".

— Aquele trabalhador que investiu na Petrobras perdeu dinheiro. Eu fiz essa pergunta para dizer que vou profissionalizar a gestão da Petrobras. [...] Vamos permitir que a Petrobras volte a ser o orgulho nacional. Não ache que o pré-sal lhes pertence. O pré-sal foi descoberto por investimentos que vieram muito antes de seu governo. O pré-sal não te pertence, é patrimônio da sociedade brasileira.

Para Dilma, “quando é nós que fizemos, não nos pertence. Agora, quando o senhor quer copiar de nós, pertence ao senhor. É dois pesos e duas medidas estranhíssimos que o senhor usa”.

— A Petrobras é a maior empresa desse País. E a força dela é seus trabalhadores. [...] Eu sei que vocês gostariam mais de ver a Petrobras dividida entre as grandes empresas internacionais. A Petrobras será a maior empresa desse País por muitos anos.

Ensino técnico

A presidente Dilma falou do “imenso orgulho por ter feito” o Pronatec, já que seu governo construiu 218 escolas técnicas, além das 214 erguidas na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A petista ainda acusou a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de proibir "o governo federal de construir escolas técnicas, o que foi revogado pelo Lula".

“Como você acha que um governo vai proibir a construção de escolas técnicas. A senhora não leu a lei”, respondeu prontamente o tucano, afirmando que o “Pronatec, que é uma bela experiência, não vem sendo administrado da forma que deveria”.

— As pessoas se matriculam, saem alguns dias depois, mas continuam na estatística de seu governo. Vamos manter o Pronatec, porque ele é importante, e é uma inspiração no PEP, em MG, ou nas Etecs, aqui em SP. [..] Nos PEPs, que talvez a senhora não conheça, a avaliação é mensal. Se o aluno sai, ele deixa de estar na estatística. E o Estado, ou o governo, o que não acontece no Pronatec, deixa de pagar aquela instituição.

O presidenciável do PSDB fazia referência a uma reportagem deste domingo, publicada no jornal Folha de S.Paulo, que, com base em relatório da CGU (Controladoria-Geral da União), aponta falhas no acompanhamento dos alunos matriculados no programa. Segundo a reportagem, não é possível precisar quantos são os estudantes desistentes e se o repasse de recursos continua sendo feito às instituições parceiras. Mais cedo, a presidente afirmou que o relatório mostra apenas que é preciso “aperfeiçoar a fiscalização”.

Em seguida, Dilma Rousseff rebateu dizendo que “a maior prova da lei que vocês aprovavam de proibição às escolas técnicas, que só poderiam ser mantidas com entidades como as do sistema S [Sesi, Senac...], é que, em oito anos, vocês só fizeram 11 escolas técnicas”.

— Oura coisa, candidato, [o Pronatec] é gratuito. Vocês jamais fizeram um programa gratuito nessa escala.

“Não consigo entender essa obsessão de chamar um programa de meu. Os programas são uma evolução”, rebateu o tucano.

Aécio ainda sugeriu que a experiência de oferecer cursos técnicos começou durante a gestão do PSDB em São Paulo. “Essa experiência começou aqui, em São Paulo. Quem não conhece a experiência das ETECs (Escola Técnica Estadual)”, afirmou.

— Acho sim que o Pronatec precisa avançar. Os cursos precisam ser maiores, vincular com as necessidades das regiões brasileiras, que é uma reclamação que tenho recebido em minhas viagens pelo Brasil. E nós vamos, com gestão eficiente, permitir que bons programas ‘podem’ trazer melhores resultados, e [para que] maus programas sejam interrompidos.

Bancos públicos

Ambos os candidatos se acusaram de fazer “terrorismo” sobre o papel dos bancos públicos — Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Após criticar uma propaganda da campanha petista da TV, o tucano afirmou que, se for eleito, “os bancos públicos vão ser fortalecidos”.

A presidente, então, lembrou o conteúdo da propaganda do PT, que traz um áudio do ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, apontado por Aécio como seu futuro ministro da Fazenda.

— Nos meus governos, os bancos públicos aumentaram seus lucros e diminuíram a taxa de inadimplência. [...] Escutei de seu possível ministro da Fazenda que iria reduzir o papel dos bancos públicos, e no fim ele não sabia o que ia ficar. Acho lamentável esse terrorismo em relação aos bancos públicos, porque quem cuida da infraestrutura e da indústria desse País é o BNDES.

Além de acusar Aécio de querer diminuir o papel dessas instituições, Dilma lembrou que a Caixa patrocina o programa Minha Casa Minha Vida, aplicado pelo governo federal em todo o País.

— Não tem investimento de longo prazo no Brasil sem participação do BNDES e dos bancos públicos.

Em resposta, o tucano repetiu que, em seu governo, esses bancos "serão fortalecidos, eles são essenciais ao crescimento da economia, nos mais diversos setores, mas também aos avanços sociais”.

— Posso garantir que eles não entrarão na cota política. Eles ficarão imunes a esse tipo de indicação política.

Aécio ainda questionou Dilma mais de uma vez sobre atrasos nos repasses de verbas do Tesouro Nacional para os bancos.

— No nosso governo não permitiremos que a Caixa deixe de receber R$ 10 bilhões do Tesouro, como acontece hoje, estrangulando suas atividades. [...] Vamos profissionalizar os nossos bancos, prestigiar os funcionários de carreira.

Fronteiras

Aécio acusou a presidente pelo “pior orçamento em cinco anos” para a Polícia Federal e disse que o governo “terceirizou a responsabilidade” pela segurança pública nacional.

— O programa de controle das fronteiras no seu governo nos últimos três anos gastou R$ 1 bilhão. Isso é quase nada. Nós sabemos que a droga que vem matar no Brasil vem dos nossos vizinhos. Eu quero sim rediscutir o código de processo penal. No meu governo, diferente desses últimos 12 anos, não vou terceirizar responsabilidades. Vou conduzir pessoalmente uma polícia nacional de segurança, integrada com Estados e municípios, com inteligência e investimentos. E vou além: terei relação diferente com países que produzem drogas.

Dilma questionou o tucano relembrando a experiência brasileira durante a Copa do Mundo.

— Vou levar a todos os Estados da federação centros de comando e controle. Vou integrar a Polícia Rodoviária Federal, Força Nacional de Segurança Pública, polícias Civil e Militar e Forças Armadas, para agirem em conjunto.

Na tréplica, Aécio afirmou que Dilma prometeu colocar “14 veículos aéreos não tripulados para monitorar fronteiras, mas colocou só dois”.

— Se a senhora quer fortalecer os centros integrados, por que, acabada a Copa do Mundo, a senhora retirou desses centros a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal? A senhora diz que vai fazer algo que já poderia ter sido feito.

Assista abaixo ao debate na íntegra:

Leia relato completo: candidatos evitam ataques e apostam em propostas

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