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Eleições 2014
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Suplentes dos candidatos ao Senado são os mais ricos

Contas e apartamentos milionários fazem parte do patrimônio dos políticos

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Um apartamento de R$ 8 milhões no Leblon a poucos metros da praia, quadros de Di Cavalcanti, Cândido Portinari e Iberê Camargo, R$ 67 milhões na conta do banco e até um time de futebol na primeira divisão estadual. Esses são alguns dos bens que compõem a polpuda lista de patrimônio dos suplentes de senador, os candidatos mais ricos desta eleição. Na média, os primeiros-suplentes declararam ter fortuna de R$ 7,3 milhões - mais de 15 vezes o patrimônio médio de todos os 25 mil candidatos registrados para concorrer neste ano.

Os suplentes compõem a chapa do candidato a senador e exercem o mandato caso o titular seja afastado por motivos de saúde ou peça licença para concorrer a outro cargo público (como o governo de um Estado) ou assuma um ministério, por exemplo.

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A explicação de por que razão eles são tão mais ricos que a média está na ponta da língua dos políticos. "O primeiro-suplente normalmente é um cara muito rico porque é quem banca a campanha do senador. Ele tem o voto e o primeiro-suplente costuma ser o cara que tem o dinheiro. É uma regra geral", diz Saulo Queiroz, secretário-geral do PSD, sigla com os dois suplentes mais ricos desta eleição: Ronaldo Cezar Coelho (PSD-RJ) e Joel Malucelli (PSD-PR). Ambos têm patrimônio maior que R$ 200 milhões.

Para testar essa hipótese, o Estadão Dados analisou os números da eleição de 2010. Eles mostram que, quanto mais rico foi o suplente do candidato naquele ano, maior foi a chance de a chapa ser eleita. Na média de todos os suplentes, não houve correlação entre o seu patrimônio e o sucesso eleitoral da candidatura. Mas quando são analisados apenas os suplentes com patrimônio maior que R$ 4 milhões, o índice de sucesso foi de quase 85% - 20 das 24 chapas com suplentes ricos assim foram eleitas.

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Isso significa que o patrimônio dos suplentes provavelmente se relaciona com a vitória nas eleições no caso dos megarricos, embora não impacte definitivamente o resultado da eleição para o candidato médio. Uma das possíveis explicações para esse fenômeno estar concentrado na ponta é a de que os possíveis suplentes mais ricos escolham participar de chapas que tenham mais chance de ganhar, ou seja, que tenham um candidato conhecido ou já eleito anteriormente como cabeça.

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Seria uma via de mão dupla: o partido quer um suplente rico que ajude a bancar a campanha e o suplente, um candidato com boas chances de ganhar. "A quantidade de recursos próprios que o candidato aporta para a campanha é uma das variáveis que impacta a possibilidade de sucesso eleitoral. Essa relação existe para deputados estaduais e federais", diz Bruno Speck, professor de Ciência Política da USP e estudioso do assunto.

Ele diz que o mecanismo de montagem de uma chapa ao Senado ainda é pouco estudado e que são necessárias mais pesquisas nesse sentido. "Mas me parece razoável crer que há o impacto do patrimônio nas eleições para senadores."

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Evidência

Os dados de 2010 parecem apontar nesse sentido. Todos os 24 candidatos a senador que tinham suplentes com fortunas maior que R$ 4 milhões já haviam ocupado cargos eletivos de destaque. César Maia (DEM-RJ), titular do suplente mais rico de 2014 e do segundo mais rico de 2010, já foi prefeito do Rio por 12 anos.

Outros estavam concorrendo à reeleição em 2010, como Delcídio Amaral (PT-MS), Romeu Tuma (PTB-SP) e Demóstenes Torres (DEM-GO), todos com suplentes entre os dez mais ricos daquele ano. E ainda havia os que foram eleitos deputados em 2006 com grande votação - caso de Ciro Nogueira (PP-PI), cujo suplente era o mais rico de 2010.

As doações de suplentes para as campanhas também são relevantes. Dos 24 mais ricos de 2010, 19 deram contribuições a candidatos, comitês ou partidos naquele ano. A maior foi de R$ 960 mil, feita por Raimundo Lira (PMDB-PB) ao titular da chapa, Vital do Rêgo (PMDB-PB), eleito senador. Se vencer a disputa ao governo da Paraíba em outubro, Lira assume a vaga no Senado em definitivo.

Escala

Após os suplentes, o cargo que concentra os candidatos mais ricos é o dos próprios senadores, com média de R$ 4,9 milhões. Já os mais pobres são os que concorrem a deputado estadual (R$ 305 mil), distrital (R$ 318 mil) e federal (R$ 557 mil).

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