Tipo de pesquisa pode influenciar a opinião do eleitor
Especialistas alertam para as diferenças entre os questionários espontâneo e estimulado
Eleições 2014|Juliana Zorzato, do R7
Todos os anos, as pesquisas de intenção de voto são publicadas com considerável antecedência antes do início da campanha eleitoral, que, por lei, começa três meses antes da votação. Por isso, os resultados acabam beneficiando candidatos que estão no governo, afinal eles estão mais expostos na mídia.
Os resultados da última pesquisa de intenção de voto para presidente da República nas eleições de 2014, publicada em novembro pela CNT (Confederação Nacional dos Transportes), em parceira com a MDA Pesquisas, comprova essa tese. A presidente Dilma Rousseff (PT) e o senador Aécio Neves (PSDB) tiveram os melhores resultados, assim como o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB).
Para o professor e coordenador do curso de marketing político da USP (Universidade de São Paulo), Victor Aquino, a pesquisa só é vantajosa para quem aparece em primeiro lugar.
— A pesquisa só é boa para quem aparece em primeiro lugar. [...] O Brasil tem a cultura da continuidade, a maioria tem sempre uma tendência a influir na decisão do voto do indeciso, por exemplo, que majoritariamente tende a votar nos primeiros lugares das pesquisas.
Fora das pesquisas, candidatos “nanicos” esbanjam confiança para 2014
A metodologia da pesquisa também é um fator importante para ser analisado porque pode influenciar na opinião do eleitor e, assim, colocar um político em evidência. Para os casos do questionário de pesquisa espontânea, os nomes dos candidatos não são sugeridos e o entrevistado apenas responde quem ele votaria para presidente da República.
No caso das pesquisas estimuladas, o cenário fica diferente, já que os entrevistados fazem a sua escolha a partir de uma lista de candidatos em quem votaria para presidente da República. Neste caso, o questionário pode trazer mais de uma lista de nomes, criando dois cenários diferentes (veja quadro abaixo).
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Voto para o partido
Outra forma de pesquisar a preferência do eleitor e deve ser analisada em uma campanha é a escolha pelo partido. No caso da pesquisa CNT/MDA, o PT aparece em primeiro lugar na intenção de votos com 21,5%. O PSDB vem em segundo com 4,5%, seguido pelo PSB de Eduardo Campos com 2,1%.
Na sequência aparecem PMDB, PDT, PSD, PSOL, PV e PCdo B. A opção "outros partidos" teve 0,6% e "nenhum destes" foi escolhido por 26,4% de entrevistados. A opção "não sabe/não respondeu" apareceu com a maioria das intenções, 40,8%.




