"Nós temos um apartheid social em Salvador", diz Fábio Nogueira durante entrevista ao Balanço Geral
Candidato foi o quarto entrevistado da série transmitida pela Record Bahia
Bahia|Do R7

Nesta quinta-feira (15), o Balanço Geral recebeu Fábio Nogueira (Psol), da coligação “Agora é com a gente”, na série e entrevistas da Record Bahia com os candidatos à prefeitura de Salvador. O psolista foi o quarto candidato a participar do programa e falou sobre educação, saúde, desemprego e fez duras críticas ao atual prefeito e candidato à reeleição, ACM Neto.
Fábio Nogueira entrou na política aos 14 anos participando dos movimentos estudantis e, posteriormente, do movimento negro. O candidato afirmou que o partido não está satisfeito com a velha política e defende uma forma nova de governar, para além dos partidos, e com ampla participação popular.
— Hoje o prefeito governa escutando os empresários e a Câmara, a população não participa. Tem uma forma de governar para os ricos, para aqueles que têm poder econômico. O povão não participa da decisão do governo. A gente defende o seguinte: ter mecanismo de participação popular como orçamento participativo, congresso da cidade, eleição direta de subprefeito.
O psolista também fez duras criticas a ACM Neto e afirmou que a opção de governo do atual prefeito não é para a população mais pobre, que ele tem uma política de repressão aos ambulantes. O candidato ainda disse que a gestão é marcada por denúncia de corrupção.
— O prefeito dos ricos que cresceu o seu patrimônio no cargo, o Psol entrou com uma representação no Ministério Público para ele explicar a população como ele saltou, em quatro anos, de R$ 17 milhões para R$ 28 milhões. O salário de prefeito não consegue explicar esse aumento no patrimônio.
Desemprego
O candidato afirmou que o atual prefeito pensou muito nas obras, mas que isso não resolve o problema da população, não gera emprego e que é necessário investir nos que mais precisam.
— Os bairros estão abandonados. Por que não descentralizar investimentos, por exemplo, para os bairros da cidade de Salvador? Isso não acontece. Há uma concentração nos bairros considerados nobres da cidade, atrás de turistas. Poderia ter uma política de turismo mais ofensiva do ponto de vista do turismo cultural, integrando as manifestações culturais da cidade de Salvador. Os blocos afros estão abandonados. Por que não consultar o Ilê, o Olodum, por exemplo, para pensar a política cultural articulada com os blocos afros, para que o dinheiro chegue na comunidade negra? O bairro da Liberdade, onde é a sede do Ilê, poderia ser um grande centro comercial, cultural de Salvador, mas é porque não há opção para os que mais precisam. Poderia pensar em uma política de microcrédito, banco do povo, economia criativa. Envolver a juventude negra, a juventude que está aí abandonada, sem emprego, sem perspectiva.
Meio Ambiente
Fábio Nogueira criticou a aprovação do novo PDDU (Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano), pois, para ele, vai destruir as áreas verdes e beneficiar apenas os ricos.
— Foi aprovado um PDDU, que eu chamo de PDDU dos ricos, daqueles que mais tem na cidade do Salvador. Não teve consulta popular, participação, envolvimento da população no projeto. Esse PDDU atual vai destruir as áreas verdes, tirar o meio ambiente, nossos parques, nossas reservas de área verde porque se privilegiou o mercado imobiliário. Então, precisa rever o PDDU, que é um instrumento de Estado e não de governo. É precisa rever isso, fazendo uma ampla consulta a população e preservando os nossos parques do avanço do capital imobiliário especulativo.
Saúde
Fábio Nogueira afirmou que a situação da saúde em Salvador é péssima. Ele disse que o modelo da saúde, hoje, em Salvador é de OS (organização social) e que não há transparência.
— O que a gente defende é que o investimento tem que ser feito no público, com concurso público. Não há concurso público na área de saúde. O que se tem são as OS, que administram mal, dão um péssimo serviço a população que chega a uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento), por exemplo, e não tem médico, não tem remédio, não tem funcionário para dar conta da demanda da população. Além disso, precisa ampliar a cobertura de saúde da família e, ao mesmo tempo, mudar a relação com os agentes comunitários de saúde, que foram tão maltratados por ACM Neto, que são fundamentais na prevenção da zika, da chikungunya, das epidemias que abalaram a nossa população nesse período.
Educação infantil
Questionado sobre que nota daria a educação infantil da capital baiana, o psolista foi categórico ao afirmar que seria uma nota baixa. Ele criticou a forma como a educação está sendo gerida e disse que a atula gestão pretende privatizar a educação.
— Agora está dizendo que melhorou na Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), mas melhorou na educação fundamental I, no II não melhorou , estamos atrás de vários municípios da própria Bahia. Então, há muito a ser feito, o prefeito tentou privatizar a educação municipal, aprovando o Plano Municipal de Educação, que no artigo nono previa a privatização e, graças a ação dos professores, isso foi retirado. O mesmo modelo de OS que tem a saúde, ele está querendo trazer para a educação. Isso não vai trazer uma educação de qualidade, precisa fazer um investimento público, ter uma conferência municipal de educação, ouvir os educadores, os especialistas da área, para efetivamente ter metas e melhoria da educação no nosso município.
Qualidade de vida
O candidato ainda falou sobre qualidade de vida, que, para ele, passa por acesso aos serviços sociais, áreas verdes, um transporte de qualidade, uma educação de qualidade, saúde e cultura.
— Tudo isso é qualidade de vida, o que nós não temos em Salvador hoje. Nós temos uma cidade desigual, profundamente desigual, um apartheid social em Salvador.
