Eleições 2022 Fernando Haddad, candidato ao Governo de SP, defende educação e mais produtividade na polícia

Fernando Haddad, candidato ao Governo de SP, defende educação e mais produtividade na polícia

Ex-ministro da Educação e ex-prefeito da capital paulista, petista quer ampliação do ensino integral com cursos profissionalizantes

  • Eleições 2022 | Fabíola Perez, do R7

O candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), defendeu políticas na área da educação, com foco na alfabetização de crianças, e a transformação do ensino médio como principais ações para o estado. Haddad é o entrevistado desta sexta-feira (5) nas sabatinas com os principais candidatos ao Executivo paulista feitas pelo programa Balanço Geral, da Record TV. “Pretendo trazer a experiência de quando fui ministro da Educação para São Paulo. A inspiração para os estados, os estados que seguiram esse modelo tiveram sucesso, quero trazer o ensino médio federal para São Paulo", disse o candidato.

A pesquisa Real Time Big Data, encomendada pela Record TV, mostra Fernando Haddad (PT) com 33% e Tarcísio de Freitas (Republicanos) com 20% das intenções de voto para governador de São Paulo no levantamento estimulado (em que nomes são apresentados ao público). No cenário espontâneo, quando o eleitor diz em quem votaria sem receber uma lista de candidatos, há um empate técnico entre os dois e Rodrigo Garcia (PSDB). 

Haddad e o PT ainda não revelaram o nome do vice-governador, e o prazo para isso se encerra nesta sexta-feira. Questionado por Gottino, o candidato disse: "Estamos trabalhando o nome da Marina [Silva, da Rede Sustentabilidade]. Ela é uma figura internacional que trabalha uma questão grave, que é o desmatamento da Amazônia". O candidato confirmou que revelará o nome de seu vice dentro do prazo legal, ou seja, ainda hoje.

Haddad, que é professor universitário e ex-ministro de Educação dos governos dos ex-presidentes Lula e Dilma, defende a educação como uma das prioridades da campanha, uma vez que a área sofreu fortes impactos causados pela pandemia. O candidato do PT pretende atuar na unificação das Etecs no estado e na ampliação do ensino integral, com cursos profissionalizantes. 

Na área de segurança pública, o candidato tem como objetivo elevar a produtividade da polícia, com o aumento da eficiência nos processos, inquéritos e trabalho da polícia preventiva. "São Paulo tem uma das piores carreiras de policial militar e de policial civil, e falta de efetivo, sobretudo da Polícia Civil, sobretudo de investigador. Quero atrelar a reforma do plano de carreiras à meta de resultado", disse ele.

"De cada três celulares roubados no Brasil, um é em São Paulo. De cada três golpes de estelionatos no Brasil, um ocorre em São Paulo. Isso tem que mudar, isso está afetando a vida do trabalhador. Às pessoas às vezes dependem do celular para trabalhar. As pessoas às vezes têm uma pequena poupança e, via Pix, sofrem um sequestro-relâmpago, um golpe de WhatsApp, e perdem a sua economia."

Ainda sobre segurança pública, o candidato comentou a atuação de organizações criminosas e outros grupos que disputam território no estado. "Hoje o risco são as milícias cariocas, que estão chegando a São Paulo com força. Isso não tem volta. Na milícia, você não sabe o que é o Estado e o que é o crime", disse Haddad.

Para a saúde, o candidato prevê oferecer mais atendimento à população, com foco nas Santas Casas do interior do estado e em hospitais regionais. Uma das propostas do petista para a saúde é o investimento no modelo Hospital Dia, modalidade de atendimento médico para pessoas que precisam permanecer sob cuidados por até 12 horas no máximo.

Em um encontro com empresários na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) na quarta-feira (3), Haddad disse que não pretende privatizar a Sabesp e que "seria um erro entregar o controle acionário da empresa estatal". O candidato criticou o Estado mínimo. Na ocasião, o prefeito também defendeu parcerias público-privadas.

Durante a sabatina, o candidato voltou a criticar a privatização da companhia. "A Sabesp já é uma empresa de capital aberto, tem ação em Bolsa. Ela pode fazer tudo que uma empresa [privada] pode fazer. [...] Você não precisa vender. Se vender, você vai estar privatizando a água. Ainda temos alguma governança sobre isso e vamos perdê-la", afirmou.

Perfil do candidato

Fernando Haddad nasceu em São Paulo, em 1963. Ele concorre ao governo do estado natal nas eleições deste ano pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Formado em direito, mestre em economia e doutor em filosofia pela USP (Universidade de São Paulo), ele começou a carreira política em 1983, ao se filiar ao PT.

Em 2001, Haddad integrou a chefia de gabinete da Secretaria de Finanças e Desenvolvimento Econômico de São Paulo, na gestão de Marta Suplicy. Ele passou por cargos políticos até assumir o Ministério da Educação em 2005, no governo Lula, permanecendo no posto até 2012.

Durante sua gestão, foram criados o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) e o Sisu (Sistema de Seleção Unificada), usado como novo modelo para o  Enem (Exame Nacional de Ensino Médio). Em 2012, Fernando Haddad foi eleito prefeito de São Paulo pelo PT e em 2018 foi candidato à Presidência, recebendo 44,87% dos votos no segundo turno.

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