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Eleições 2022

'O que se cobra de Lula é assumir um programa que não é o nosso', diz Rui Falcão

Em entrevista, ex-presidente do PT diz que há tentativas de fazer com que o petista assuma um programa que não é o do partido

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Rui Falcão está entre os coordenadores da campanha petista nestas eleições
Rui Falcão está entre os coordenadores da campanha petista nestas eleições

O deputado federal reeleito e ex-presidente do PT Rui Falcão disse que as cobranças para que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresente um detalhamento de seu plano econômico e indique quem vai chefiar a pasta da Economia são tentativas de fazer com que a candidatura assuma um programa que não é o do partido. Falcão atua como um dos coordenadores da campanha do petista.

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Os comentários foram feitos em uma entrevista concedida ao jornal O Globo, publicada nesta quarta-feira (19). "O que se cobra de Lula e da nossa campanha é que a gente assuma um programa que não é o nosso. Da mesma maneira como se pede a indicação prévia de um ministro da Fazenda, algo que significaria soberba, porque é desprezar o voto do eleitor antecipando o resultado", avaliou o deputado.

Segundo Rui Falcão, seria prematuro detalhar um programa agora. "Ganhando a eleição, é o momento de dialogar com essas pessoas [economistas liberais] e ver o que é possível acolher dentro das diretrizes que nós aprovamos e o que não é possível atender", afirmou. 


Sem clareza sobre política econômica

A menos de duas semanas do segundo turno das eleições, a equipe do candidato Lula não deixa claro qual seria a política econômica em um eventual governo, nem o perfil do ministro da Economia. Alguns economistas acreditam que o silêncio de Lula sobre os planos para a economia do Brasil gera incerteza entre investidores. O temor é que, se eleito, o candidato escolha uma política de gastos públicos descontrolados.

No último domingo (16), em debate na Band, Lula se esquivou ao ser questionado pelo presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) sobre quem indicará para o Ministério da Economia, caso vença as eleições. “Quem vai ser seu ministro da Economia, Lula? Já decidiu ou está barganhando com algum partido político?”, perguntou o presidente.


Antes de questionar o petista, Jair Bolsonaro elogiou Paulo Guedes, ministro da Economia do seu governo. Na resposta a Bolsonaro, Lula desviou-se e não mencionou quem será o responsável pela pasta em um eventual governo.

'Má notícia' para o Brasil

Em conversa com a Eurasia Group, uma empresa internacional de consultoria e pesquisa de risco político, o ex-ministro da Fazenda e ex-chefe do Banco Central, Henrique Meirelles, expressou dúvidas sobre os rumos da economia brasileira em caso de vitória do ex-presidente. "A eleição é muito apertada neste momento. As chances de Lula são maiores, mas ainda acredito que o presidente Jair Bolsonaro tem uma chance real de vencer", disse o ex-ministro.

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Segundo Meirelles, houve três governos diferentes do PT: o primeiro, com responsabilidade fiscal; o segundo, com algum alívio fiscal e mais aberto às demandas políticas; e o terceiro, que acabou em recessão. "A grande questão agora é qual Lula tomará posse se, de fato, vencer. Eu digo que depende. Se você pegar seu atual programa de governo, seria uma má notícia", sentenciou.

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